quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Debate: “O Impacto das TIC no Comportamento Social”. Vídeos pornográficos nos móveis, uma questão de infantilismo e falta de educação da juventude

Ela e ele encontram-se em casa ou no carro. Vai um beijo, abraços, o clímax aquece e fazem amor como sempre fizeram, como é direito dos namorados. Só que, desta vez, ele tem em mãos um telemóvel novo, caro e cheio de funções. E, pondo em prática a máxima de que “amar e ter juízo não é possível”, ele decide filmar o acto sexual. Ela, um tanto perdida no calor do momento, ou se calhar nem por isso, sorri de surpresa, nega um bocado, mas “como ele é o dono”, deixa filmar. Depois do acto o casal ri-se do que foi capaz de fazer, quando ambos viajavam de excitação. Ela parte para a casa e “está tudo bem”. Mas só após o namoro terminar é que percebe o quão parva chegou a ser ao deixar-se filmar tal como veio ao mundo e logo na hora de obedecer a libido. Mas já é tarde: a imagem já circula na Internet e no telefone de quem quiser. Desengane-se, caro(a) leitor (a), que não se trata de um caso de ficção, mas de uma realidade que se repete.

O progresso das tecnologias de informação e comunicação, dentre as quais a informática e a Internet são os mais gigantes tentáculos, lançou o mundo para uma revolução irreversível. Como é dialéctica da vida, infelizmente, paralelamente às incomensuráveis vantagens, a globalização faz com que as fronteiras entre as nações se desvaneçam, ainda que virtualmente, permitindo que um acontecimento na mais remota comunidade seja acompanhado em tempo real em qualquer parte do mundo. E as sociedades menos desenvolvidas vêm-se então em maior desvantagem ainda para a sobrevivência de alguns dos seus aspectos culturais mais sagrados, perante as influências políticas, culturais, etc., das sociedades mais avançadas.

A sociedade angolana, e a benguelense em particular, vê-se apanhada desprevenida por este fenómeno atípico da sua forma de ser e de estar. É urgente a necessidade de promover reflexões permanentes sobre o impacto e as implicações do (mau) uso das tecnologias de informação e comunicação, TIC, no comportamento das pessoas. Foi com esta preocupação que a produção do programa “Viver para Vencer” o agendou para debate, a 20/11.

Pouco depois do anúncio do tema, da cidade do Lobito ligou um cidadão, que preferiu anonimato, chamando atenção da sociedade para o uso racional dos telemóveis: «De princípio têm uma utilidade boa para a nossa evolução, mas por outro lado temos umas grandes falhas, como o caso destas imagens que estão a aparecer agora. Acho que temos que ter mais responsabilidade com os telemóveis para que não sejam uma coisa para brincar, mas sim para resolver problemas, coisas urgentes. E dou um apelo a todo o pessoal, que se organize!». O mesmo ouvinte partilhou connosco uma experiência pessoal em que o telemóvel foi a tábua de salvação: «Foi a altura em que estava a sair de uma discoteca, o camião estava parado e como eu vinha com excesso de velocidade, cambaleei e o telemóvel foi a saída para pedir socorro», revelou.

O mundo guarda ainda frescas as polémicas imagens captadas à revelia com um telemóvel, denunciando a humilhação perpetrada por aqueles que se julgavam implementar a justiça na cena do enforcamento do antigo presidente iraquiano, Sadam Hussain. Na verdade, a ênfase ao telemóvel foi só um chamariz para uma abordagem mais alargada sobre as TIC.

Entretanto, como realça a “Gazeta Online” do Brasil, «o fosso entre os países em relação ao acesso a tecnologias de informação ainda é enorme no mundo: o habitante de um país desenvolvido tem 22 vezes mais chances de ser usuário de internet do que o de um país subdesenvolvido. No entanto, o acesso as TIC tem aumentado e se tornado mais igualitário, de acordo com o "Índice de Oportunidade Digital" da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad)». Acrescenta ainda aquele órgão informativo que, até 2006, «os países com maior índice digital são Coréia do Sul (0,79), Japão (0,71), Dinamarca (0,71) e Islândia (0,69). O Brasil não é citado no relatório resumido divulgado à imprensa. E segundo o levantamento, que será divulgado anualmente até 2015, há 3,3 bilhões de usuários de celular no mundo, o equivalente a 51,76% da população mundial. Na Europa, esse percentual chega a 124,32%, ou seja, algumas pessoas têm mais de um aparelho no continente. Na África, o percentual é de 15,92% e nas Américas, 78,94%».

O Dr. Jorge Crisóstomo, presente ao debate em representação do Comando Provincial da Polícia Nacional, considerou as TIC um factor importantíssimo a nível do universo. «Há necessidade, no caso de Angola, investir-se muito na educação. Porque nós estamos a ter a tecnologia e vai haver uma grande parte da sociedade que vai estar excluída deste grande contexto de obtenção de informação aproveitando as TIC».

Quanto à Internet, cada vez mais frequentada pela juventude, os participantes ao debate defenderam a necessidade de se investir na educação desde a base para um melhor aproveitamento. «Porque vivemos num universo de informação global. Agora, é preciso saber educar os nossos adolescentes e jovens como ir buscar esta informação importação», já que, tratando-se de uma sociedade com poucos hábitos de leitura, «vão buscar pornografia, vão para jogos na Internet, mas há muita coisa mais importante. Então é preciso incutir desde a Escola, tudo que é lixo deve-se desprezar», recomendou o Dr. Jorge.

Por seu turno, o Reitor do Seminário Maior Bom Pastor, Padre José Cassanji Santos, acredita que as estruturas do Governo estão a arranjar mecanismos para a introdução daquilo que considerou de Disciplina Global de Informação. «Porque é um risco, é uma mentalidade que se adquire, que, depois, dentro de 50 anos, nós vamos sofrer as consequências, alertou para a seguir apontar que «o mau uso das TIC pode prejudicar não só os utentes como também as famílias. Porque as informações podem deturpar o modo de entender dos amigos», advertiu.

E o estudante do curso de direito, José Sikuete Viagem, sublinha a ideia de que o débil diálogo dos pais em casa para com os filhos pode contribuir para o mau uso das TIC. «Essa informação que ele não consegue com os pais, vai busca-la na televisão, na rua», disse. Quanto à exposição da privacidade de outrem através de fotografias e vídeos, Viagem julga ser reflexo generalizado da falta de cultura jurídica. «Há direitos de personalidade que são invioláveis. Então eu se não estiver informado sobre o direito de personalidade, à integridade física, ao nome e à honra, e for para um meio público, vou fazer o uso do meu telefone de tal modo que não respeite estes elementos, porque eu entendo que o telefone, por ter câmara, é para captar tudo que é imagem mesmo sem o consentimento destas pessoas», ilustrou.

Será que o facto de ser namorado dá o direito de filmar a rapariga e expor a sua nudez? O «Não!» foi unânime. Para o doutor Jorge, não se trata de comportamento patológico, mas sim de comportamento infantil e que «à nossa juventude falta conhecimentos básicos para se viver em sociedade condignamente e passa necessariamente pela educação».

O Pe. Cassanji Santos defende que os princípios éticos sob os quais nos guiamos deviam ser claros, na medida em que a pessoa deve sempre «ser vista como um fim e nunca como um meio. Todo aquele que quiser lesar, por brincadeira que seja, a integridade física ou moral de quem quer que seja, atenta contra os princípios sagrados da privacidade e do direito individual», concluiu.

Eliminatórias para o CAN e Mundial de futebol 2010: Conheça os países e as séries mais fortes

Realizado no domingo, 25/11, na cidade sul-africana de Durban, o resultado do sorteio da segunda fase das eliminatórias combinadas para as fases finais do CAN/Mundial 2010 foi razoável para Angola, que, à partida, foi colocada no primeiro pote, o dos mais fortes, por força dos critérios da Fifa (Federação Internacional do Futebol Associado), que para tal se baseou no seu “ranking” de Julho. Confira as séries:

· Camarões / Cabo Verde / Tanzânia / Ilhas Maurícias

· Guiné Conacry/ Zimbabwe/ Namibia / Quénia

· Angola / Benin/ Uganda/ Niger

· Nigéria/ África do Sul/ Guiné Equatorial / Serra Leoa

· Ghana/ Líbia/ Gabão/ Lesotho

· Senegal/ Argélia / Libéria / Gâmbia

· Costa do Marfim / Moçambique / Botswana / Madagáscar

· Marrocos / Etiópia / Rwanda / Mauritânia

· Tunísia / Burkina-Faso / Burundi / Seicheles

· Mali / Congo / Tchad / Sudão

· Togo / Zâmbia / Eritreia / Swazilândia
· Egipto / RD Congo / Malawi / Djibuti

(Fonte: Semanario Angolense)

Jovens da Santa Cruz mudam o mundo

Desde Junho último, cerca de 15 jovens de ambos os sexos decidiram dar corpo ao seu dever de servir a sociedade com o pouco que podem fazer e com o muito que desejam aprender. De forma voluntária, dedicam-se ao aperfeiçoamento do teatro de intervenção, dando ênfase à promoção da educação cívica e à saúde pública.
Em fase embrionária ainda, o Grupo Teatral da Santa Cruz é constituído por jovens moradores do bairro com o mesmo nome, alguns dos quais mantêm, desde 2004, uma relação de voluntariado com a AJS. As oportunidades de participarem de debates e sessões de capacitação fizeram os jovens adoptar o teatro, não só como expressão de arte, mas também uma estratégia na veiculação de mensagens para atitudes pessoais e sociais construtivas. Pode ser que o grupo consiga singrar, ou, quiçá, dispersar-se, mas o certo mesmo é que marcaram o passo decisivo, o de começar. É mais uma demonstração de que ser cidadãos não é sentar-se e só criticar, mas é, sobretudo, contribuir com ideias e acções para o desenvolvimento da sociedade. É com pequenas mas sucessivas conquistas que se muda o mundo!
Félix Rodrigues “Guy” é apenas um deles que, pela dedicação e interesse, foi convidado a integrar a turma de activistas e actores de teatro radiofónico do programa radiofónico “Viver para Vencer”, emitido através da Rádio Morena, às terças-feiras, pela equipa dos projectos “Viver contra a Sida-3, Cidadania e Saúde Preventiva” e “Palmas da Paz”. No dizer de Guy, um dos dinamizadores, «o sonho deste grupo é de levar a arte aos pontos mais altos de toda a sociedade, de modo a educar e mudar comportamentos negativos que nos atingem, e ser um dos melhores grupos de teatro», revelou.
«A dificuldade que temos com o teatro de rádio é mais o medo de errar, porque sabemos que muita gente vai ouvir e ficamos com esse medo. É questão de tempo», disse. Bem, se no teatro radiofónico já fizeram história, no palco porém é ainda grande a maré por vencer, destacando-se o medo de enfrentar o público e o posicionamento da voz. «O momento mais difícil foi quando o grupo foi convidado a apresentar uma peça alusiva à eleição do “Mister Santa Cruz». A peça apresentada teve como titulo “Quando os pais não existem”, retratava a delinquência Juvenil. «Houve muita pressão no momento da apresentação, por parte dos organizadores. O cenário criado pelos organizadores não possibilitou a apresentação da peça em condições, pelo que tivemos que encurtar a peça», lembrou o nosso interlocutor.
Curiosamente, foi no mesmo recinto onde o grupo experimentou o momento mais gratificante. «Foi quando o grupo apresentou uma peça no dia 28/10, com o título “O inimigo da Família”. Isto porque foi a primeira vez que apresentamos uma peça comunitária no mesmo bairro, o grupo foi bem recebido pelo público e o mesmo reconheceu que foi um sucesso» confessou.

«As mulheres são os melhores condutores que temos», diz Inspector... quatro em cada dez acidentes envolvem um mototaxista (kupapata)

O Chefe do Departamento de Prevenção Rodoviária da Direcção Provincial de Viação e Trânsito, Inspector Pinto Caimbambo, denunciou que a negligência está na base da maioria dos acidentes que se assistem nas estradas. Enquanto isso, os mototaxistas, vulgo kupapatas, representam 40 por cento dos acidentes, ao contrário de automobilistas do sexo feminino, cuja taxa de acidentes é quase nula.

«A situação da sinistralidade rodoviária na nossa província, e no nosso país em geral, é bastante preocupante», considerou o Inspector Caimbambo, apontando entre os factores um certo entusiasmo da parte dos automobilistas dada a melhoria que se verifica um pouco por todo o país nas estradas. “Isto provoca com que os homens aumentem a sua auto-estima e, se calhar, considerem que os seus veículos são os melhores e tentam dar o máximo. E isto tem causado consequências bastante graves”, considerou o Inspector Caimbambo ao participar do debate sobre “Os acidentes na estrada”, que foi tema da 55ª edição do programa radiofónico “Viver para Vencer, oferecido pela AJS através da Rádio Morena, no passado dia 08/11.

Da mesma opinião partilha Simão Marques, membro da AJS. «Num outro ponto - disse - eu acho que talvez é a ignorância dos próprios condutores que passam por cima da lei».

«Penso que é um problema de mentalidade dos homens do volante. E penso que temos que mudar porque senão vamos continuar a morrer ingloriamente. Porque em quase todos acidentes registados há sempre uma transgressão: se não é excesso de velocidade, é falar ao telefone ou ter a música demasiado alta», denunciou o Inspector, para a seguir surpreender: «Eu faço uma apreciação positiva, sobretudo da parte das senhoras, hoje. No nosso balanço em termos de acidentes de viação, o número de mulheres é quase zero. Se calhar, eu consideraria as mulheres de mais prudentes. Porque, a mulher, quando estiver a aproximar uma viatura, mesmo com prioridade, não avança. As mulheres são as melhores condutoras que temos hoje».

Mas são os acidentes a principal causa de mortes ou a débil capacidade de resposta dos serviços de urgência? Este é um debate “incómodo” suscitado por vários intelectuais e observadores atentos, por exemplo na realidade de Portugal, que questionam se os acidentes é que são mortais ou se a capacidade de resposta dos serviços de emergência é que, às vezes, não chega tarde demais... quando chega.

A mesma questão foi colocada ao Chefe dos Serviços de Urgência do Hospital Central de Benguela, Ernesto Gomes, que avançou que «os serviços de saúde a todos os níveis estão criando condições cada vez mais para que esses casos de acidentes tenham a sua condição rapidamente suprida». E para os casos de acidentes que aconteçam longe dos bancos de urgência, «o hospital Central de Benguela está apetrechado de ambulâncias. Tem acontecido que, nalguns casos de acidentes, pessoas de boa fé comunicam ao banco de urgência e nós movimentamos uma ambulância para a busca do sinistrado e levamos para a área mais próxima», revelou, pondo à disposição do público o terminal telefónico 917 335 308, o de emergência hospitalar.

Quanto ao argumento de muitos automobilistas que se recusam prestar socorro com suas viaturas temendo serem apontadas como culpados do acidente, o Inspector Pinto Caimbambo garantiu que os dados recolhidos pela polícia servem apenas para completar as formalidades de ocorrência, sendo que em caso de inconsciência do sinistrado o automobilista serve apenas de contacto. Entretanto lamentou também haver casos de automobilistas que atropelam e se fazem passar por inocentes.

E como a figura do kupapata é já uma referência obrigatória em qualquer análise dos fenómenos do trânsito em Angola, foi solicitado do representante do Comando Provincial da Polícia Nacional um pronunciamento sobre a medida mais badalada, que é o uso do capacete. «É uma medida que está a ser acolhida mal, mas era bom que as pessoas nos compreendessem. A nossa intenção não é criarmos o desconforto às pessoas, é sim evitar as mortes na via pública”, lembrou. «Porque, se imaginássemos que uma mota, uma Delop que percorre uma velocidade instantânea de cerca de 70 km/h, ao embater contra um animal, qual seria o impacto da queda dos utentes da mota?», indagou.

Sem contudo revelar dados estatísticos locais, aquele oficial da Viação e Trânsito adiantou que, em termos percentuais, as motas contribuem com cerca de 40 por cento de acidentes registados semanalmente pela Polícia Nacional em Benguela. A causa é a «inobservância das regras de trânsito, logicamente, porque as ultrapassagens são feitas à direita e quando o automobilista tenta dar por si, já está envolvido num acidente», descreveu.

A nível dos bancos de urgência o quadro é dramático: «Podemos considerar 24 horas por dia. Não há sequer hora que se descanse nos bancos de urgência, área de pequenas cirurgias. E esta situação está a provocar muitas deformações e deficiências ao ser humano. Se nós tivéssemos que convocar todos aqueles que passam por estes acidentes, haveriam de ver que é um número grande de engessados. E é uma preocupação grande, que, de facto, casos de acidentes rodoviários passam a ser problema de saúde pública», concluiu Ernesto Gomes.

Benguela vai produzir mosquiteiros impregnados

O país deverá contar com uma fábrica de produção de mosquiteiros impregnados, num investimento orçado em cerca de 5 milhões de dólares norte- americanos, a instalar na província de Benguela. A capacidade instalada será de 2 milhões de mosquiteiros por ano.

É uma iniciativa privada com objectivo de acudir as dificuldades do país e de alguns países africanos em termos de rede mosquiteira. O projecto está a ser materializado sob licença da Tananeting e da Bayer, duas empresas reconhecidas a nível internacional. A produção da rede mosquiteira será feita com base num processo de transferência de tecnologia, ou seja, os mosquiteiros serão produzidos através de uma tecnologia desenvolvida em parceria da Tananeting e da Bayer com a Netemartek, um projecto da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento) na Tailândia. Os preços não deverão ultrapassar os 5 dólares por cada mosquiteiro.

Anualmente, Angola importa da Tailândia cerca de 2 milhões de mosquiteiros e, por cada um gasta 10 dólares, incluindo os custos de transporte.
Texto: Voz da América (online)

Dados oficiais da Sida em 2007: Angola tem 30 mil seropositivos

Na véspera da comemoração do dia Mundial de Luta Contra a Sida, as autoridades angolanas revelaram que pelo menos 30 mil cidadãos vivem com o vírus da doença. As estatísticas surgem numa altura em que a sociedade digere denúncias segundo as quais pessoas bem informadas e identificadas estariam a expandir propositadamente o vírus, recorrendo, quando muito, à fragilidade moral de raparigas ávidas por vantagens económicas.

A 58ª edição do programa “Viver para Vencer”, emitido a 27/11, incidiu sobre “A Situação do VIH/Sida em Angola”, tendo como convidada a Coordenadora de Benguela da ONG espanhola “Médicos del Mundo” (MDM), Concha Fernandes (na foto), que no litoral de Benguela apoia os Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (Catv), para além do acompanhamento psicossocial aos seropositivos.

Concha revelou que actualmente os centros não conseguem satisfazer no seu todo a avalanche de pessoas interessadas em determinar a sua condição serológica.

Embora o teste rápido não leve mais de 15 minutos, a sua natureza exige que o interessado passe por um aconselhamento prévio, de forma a estar preparado para o resultado, seja ele negativo ou positivo, pelo que «atender «mais de 20 pessoas por dia é impossível», esclareceu a responsável da MDM

E não são poucos os casos de pessoas que recuam da decisão após o aconselhamento. «É muita gente que chega, fazemos o pré-aconselhamento, perguntamos se tem a certeza de que quer fazer o teste e diz ‘épá, não, muito obrigado pela informação, mas hoje não’ e vai embora», revelou Concha.

A história algum dia há-de explicar o segredo do erro, ao ponto de, não obstante tanto esforço na prevenção e investigação científica para a descoberta da cura, continuar a aumentar a vitimar tanta gente a Sida. Este ano por exemplo, fazendo fé no relatório epidemiológico da OnuSida, cerca de 33 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com o VIH. Destes 22,5 milhões são da África subsariana. Foram ainda diagnosticadas 1,7 milhões de novas infecções e, como o paradigma ainda não mudou, as mulheres são a parte mais assolada.

Concha Fernandes diz ser cada vez mais possível controlar os índices de seroprevalência no mundo desde que mais cinco nações africanas (entre elas Angola) e a Índia, que é um país bastante populoso, passaram a fornecer regularmente os seus relatórios às Nações Unidas. E reconhece: «Também é devido ao grande esforço que estamos a fazer todos, os ministérios, os governos de todos os países, a sociedade civil».

Questionada se um conselheiro podia acompanhar um seropositivo a casa, se por este solicitado, com o fito de mobilizar a família perante a sua condição, Concha diz não haver problema, sendo que o contrário também é válido. Ou seja, o conselheiro pode convidar a família e fazer a mobilização no centro de aconselhamento. De resto, contou, um grupo de técnicos da Associação de Luta pela Saúde (Alps) é o braço direito da MDM, o qual se encarrega da componente aconselhamento, testagem, acompanhamento, tanto à unidade de tratamento como também psicossocial.

Entretanto, Concha não deixou de lembrar que o baixo nível de escolaridade, sobretudo nas zonas do interior, é dos maiores obstáculos na promoção da saúde pública.
Boletim "A Voz do Olho", edição de Novembro 2007

Governo angolano reafirma compromisso

Angola pretende reverter até 2015 o quadro de assistência terapêutica às pessoas portadoras do VIH/Sida, quando as estatísticas assinalam a existência ate Setembro último de 29 mil e 900 seropositivos dos quais apenas 10 mil e 300 recebem tratamento anti-retroviral, disse o ministro da Saúde, Ruben Sicato.
«O governo angolano conseguiu diagnosticar em 120 mil gestantes que foram submetidas ao teste HIV 4 mil e 800 pessoas positivas para o VIH, isto quer dizer que na totalidade das grávidas que foram testadas foi possível encontrar 4% positivas. O primeiro caso do VIH em Angola foi reconhecido em 1985, de lá até Setembro deste ano nós conseguimos diagnosticar 29 mil e 900 pessoas seropositivos. Até Setembro deste ano nós conseguimos ter 10 mil e 300 pessoas sob terapêutica anti-retroviral. Este número representa uma percentagem das 22 mil e 800 pessoas que foram encontradas VIH positivo que estão sob acompanhamento médico, porque há muitas que não estão a ser seguidas por vontade própria ou porque estão numa situação sem que esta possibilidade seja uma realidade. A nossa cobertura como dissemos não é muito boa, é mesmo baixa. Assim, em termos de centros de aconselhamento e de terapêutica nós temos apenas 116 centros nas dezoito províncias do nosso país, se quisermos ver os 164 municípios isto representa, que nós estamos em cerca de 32% municípios, quer dizer estamos em 53 municípios dos 164 municípios que o nosso pais tem. Relativamente a terapêutica a situação não é muito boa, em 164 municípios estamos presente com tratamento apenas em 35 municípios o que vai dar 21% dos municípios.»
Ruben Sicato garantiu ainda que o seu órgão vai punir com o rigor da lei todos o técnicos que divulguem a terceiros os resultados das pessoas que se submetem a testagem voluntária.

(Fonte: Voz da América)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

UNDP partners in Angola strengthen capacity... Parceiros do PNUD reforçam capacidades

Latest News and Eventshttp://mirror.undp.org/angola/News16.htm
Workshop on Program & Financial Management, Monitoring & Evaluation and Human Resources

Luanda, 2 November 2007 - On October 31st and November 1st, the UNDP implemented a two-day workshop in Luanda on Program and Financial Management, Monitoring and Evaluation and Human Resources in order to improve the capacity of major national and international civic agencies and grass roots organizations on these subjects. (Decorreu de 31 de Outubto a 1 de Novembro, em Luanda, o Wosrkshop sobre Gestão de Programa e Finaças, Monitoria e Avaliação e Reciursos Humanos com a finalidade de incentivar a capacidade da maioria das agências de educação cívica nacionais e internacionais e organizações de base comunitárias no que se refere às temáticas do seminário).

Approximately 30 people attended this training, where 70% were male and 30% female. Including among these organizations were: OXFAM-GB, MINSA, INLS, IPMP, ASASP, AJD, ADEMA, OIKOS, PROGRAMA CG, INACAD, AJS, AFDER, AAM, ADPP, LPV and PNCM. The Global Fund was also represented. (Cerca de 30 pessoas participaram do seminário, sendo 70% do sexo masculino e 30% do sexo feminino. Estiveram representadas entre outras as organizações: acima indicadas. O Fundo Global fez-se também representar).

On Wednesday, the first day of the workshop, the themes presented by Malaquias Tenente and Francisco Afonso were: Project, Program and Financial Management, as well as Quarterly and Annual Report preparation. During the second day, Manuel Solis and Lemuardo Neto presented themes on Monitoring and Evaluation and Human Resources. (Na quarta-feira, o primeiro dia do seminário, os temas foram apresentados por Malaquias Tenente e Francisco Afonso, nomeadamente "Gestão de Financeira e programática do Projecto", bem como a preparação dos relatórios trimestrais e anuais. Durante o segundo dia, Manuel Solis e Lemuardo Neto apresentaram os temas relacionados com a Monitoria, Avaliação e Recursos Humanos).

Similarly to what has been presented during a previous week seminar for NEX and DEX programs and projects, the thematic intervention which brought more attention was the one on monitoring and evaluation, being rated the highest in priority from the participants. (À semelhança do que foi apresentado no seminário que teve lugar na semana anterior, para os programas e projectos da NEX e DEX, a temática de intervenção que captou mais atenção foi a da Monitoria e Avaliação, tendo reputado como a mais alta das prioridades pelos participantes).

Cesar Menha, Financial Assistant from the Youth Association for Solidarity (AJS) from Lobito, «this training is very important so we can better do our job more effectively and efficiently». The Coordinator for the same association, Mr. António Salomão, said that «I was sick and was not planning to attend this seminar, but I am very happy because we got the best tools so we can better perform our duties in Lobito». (Segundo César Menha, Assistente de Finanças da AJS - Associação Juvenil para a Solidariedade, do Lobito, «este seminário é muito importante porque ajuda-nos a melhorar o nosso trabalho, tornando-o mais efectivo e mais eficiente». Já o Coordenador do Projecto da mesma Associação, Salomão Gando, referiu: «eu estive doente e não previa participar do seminário, mas estou bastante satisfeito porque obtivemos as melhores ferramentas para um melhor desempenho das nossas acções no Lobito»).

Translated by Gociante Patissa (AJS) / Source: UNDP Angola webpage

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Editorial: Presos na ironia do "Ciclo do Projecto" (Já circula a ediçao de Outubro do AV-O)

Seriam de lembrar com nostalgia — se fosse possível lembrar o que nunca se esqueceu — as palavras do responsável de uma ONG angolana, proferidas em 2000, pouco depois da formalização da AJS, quando ainda iniciávamos ansiosos e ingénuos o caminho pela afirmação. Dizia-nos então o companheiro que “projectos são o sangue de uma Organização”, uma metáfora pertinente, se entendermos que, face aos problemas comunitários, a inteligência e a capacidade de acção das “Organizações” devem ser sistematizadas.

Nesses oito anos de crescimento (como equipa) da AJS, o termo “projecto” passou a ter mais significado, maior presença, tendo em nossas preocupações lugar quase cativo. Um projecto representa uma oportunidade de aprender sobre e com a comunidade, conquistar doadores, exercitar habilidades, construindo assim a história da Organização.

Ora, até aqui, como muitos perceberão ao ler estas linhas, não haveria nada de novo, vendo “projecto” no seu sentido lato, tido como o estabelecimento de caminhos e paradigmas por um determinado fim. Afinal é comum ouvir que cada pessoa é responsável pelo seu projecto de vida, ou seja, que a nossa vida é um projecto. E tanto no plano pessoal como institucional, as aspirações fazem-nos lutar para o alcance dos objectivos, contornando constrangimentos.

Mas para a “nossa realidade”, o fim de um projecto, embora previsível, é sempre uma etapa de mudanças e quebra de ritmo; uma espécie de tristeza na hora da colheita para o camponês, já que a alegria dos frutos à vista não esconde a triste e habitual sensação de estar ao voltar ao ponto de partida.

Isso mesmo, a terceira edição do projecto “Viver Contra a Sida”, iniciativa da AJS desde 2001, chegou ao fim. O acordo de financiamento com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), terminou em Setembro último, tendo sido, em função dos indicadores de progresso, prorrogado até Dezembro. E embora natural a paragem, já que as etapas do ciclo do projecto compreendem a identificação deste, a planificação, a implementação e a avaliação, salienta-se contudo uma diferença. Representa uma eminente falta de recursos não só para a edição do Boletim mensal “A Voz do Olho”, distribuído gratuitamente, mas também um interregno na emissão do programa de debate “Viver para Vencer”, emitido pela Rádio comercial, por serem ambos linhas de força do projecto “Viver Contra a Sida-3, Cidadania e Saúde Preventiva”.

E enquanto, por um lado, comemorávamos o primeiro aniversário do programa “Viver para Vencer”, no final de Outubro, por outro lado, também, a Coordenação Executiva da AJS intensificava contactos com doadores para a continuidade das acções. Portanto, se algo aparentemente nos obrigar a parar, será, isso sim, a ironia do ciclo do projecto.

AJS—“Humildade, Justiça e Solidariedade”

Cidadã morre soterrada (Quando desafiava montanha para sustento)

Uma cidadã de 32 anos, que em vida se chamou Maria de Fátima (MF), moradora do Sector da Hondokela no Bairro da Santa-Cruz, Lobito, faleceu soterrada no passado dia 29/10, por volta das 10h50. Maria deixa viuvo e dois filhos.
MF fazia parte do grupo de mulheres entregues à miséria e que, para a sua subsistência, se dedicam à extracção de terra arenosa, daquilo que ainda sobra do antigo morro residencial da já falida Açucareira, junto da ponte do Estádio do Buraco. O produto, que transportam à cabeça, é comprado geralmente por pessoas de baixa renda, que, na falta de cimento, rebocam as suas obras com terra e areia.
«O lugar estava húmido, mas ela não conseguiu dar conta do recado. Chegou ao local, tentou extrair a terra e automaticamente a terra desabou sobre ela. E, o pelo peso da terra, já não resistiu e acabou por sucumbir», contou à reportagem do Boletim a Voz do Olho um dos mais antigos responsáveis da Subcomissão de Moradores do Bairro da Santa-Cruz, Celestino Dias “Tino” (CD). Após o alerta de testemunhas, conta a nossa fonte: «nós demos todos os procedimentos jurídicos: ligamos para a terceira esquadra, a qual nós pertencemos, e por sua vez também ligou para a investigação criminal para fazer chegar ao piquete».
A área representa um perigo eminente, já que, tendo sido desbastada pela construtora francesa, Satom, pouco sobrou do morro para aguentar o poste de alta tensão, o que vem sendo agravado pela erosão e pela acção de cidadãos que vêm neste “garimpo” um ganha-pão. A par disso, a bacia formada à sua volta pela força das chuvas tem constituído também um risco de afogamento para os petizes que fazem da água parada uma “piscina”.
«Não é a primeira vez» - recorda CD- «Pela primeira vez se deu, se bem me lembro, o ano passado, já se deu um caso idêntico: a terra desabou e houve unicamente um ferimento. Pela segunda vez, a terra desabou, acabou por sucumbir uma senhora e saíram dois feridos. E esta, nós podíamos denominar como terceira vez».
Após este recente infortúnio, nenhum “garimpeiro” voltou ao local, algo que CD encara com indiferença por recear que, passado o choque, tudo volte à mesma. E justifica: «Nós já havíamos alertado que ninguém mais deveria fazer aquele trabalho, mas como se sabe, que hoje o índice de desemprego é maior, nós podemos alertar, eles fazem daquilo o seu ganha-pão; eles continuam a levar a sua actividade laboral, que é a extracção de terra junto do poste de alta tensão».
Sabe o AV-O que o entulho do local é a solução projectada pelas autoridades.

1º Aniversário celebrado com prémios, bolos e reflexão

Chama-se Paulino Handa Capusso, morador do bairro São João, Lobito. Por seis vezes interveio em debates ao telefone no programa “Viver para vencer” (VpV), de Outubro de 2006 a Outubro de 2007. Só não sabia ele que conquistava assim o estatuto de “Ouvinte do Ano”. Na mesma categoria, destacou-se para o género feminino a cidadã Georgina Tchitumba, da vila da Catumbela, com duas participações. Notas de reconhecimento e prendas simbólicas foram distribuídas aos premiados.

«Acho que não merecia. Participando no programa, eu é que ganhei. Peço a todos que participem, que contribuam, porque este programa ajuda em vários sentidos», reagiu emocionada a Georgina à distinção, enquanto a voz trémula se perdia nas palmas da equipa, que “invadiam” o quintal e as hondas hertzianas da 97.5 e 96.0 FM.

A distinção estendeu-se também às instituições que mais acederam aos convites da nossa produção, sendo que, pela ONG Médicos do Mundo-Espanha, Concha Fernandes foi a “convidada mais”, ao passo que, pela Direcção provincial da Juventude e Desportos, distingiu-se o funcionário Daniel Ngunde.

Alberto Isaac, sonorizador sénior da Rádio Morena Comercial, foi reconhecido pelo contributo na gravação das peças teatrais radiofónicas, iniciativa conjunta do Projecto “Palmas da Paz” e do Projecto “Viver Contra a Sida-Cidadania e Saúde preventiva”. Fredy Trindade foi o operador mais constante.

Foi desta forma que a equipa do programa de rádio VpV decidiu comemorar, a 23/10, o primeiro aniversário daquele que, mais do que um programa de rádio, já se tornou em espaço público na promoção da mudança social através do debate de ideias e partilha de opiniões sobre cidadania, prevenção de conflitos e saúde pública.

Dos 331 convites emitidos ao longo de 12 meses, o número de pessoas que compareceram totaliza 134, 46 cidadãos foram entrevistados, e 151 telefonemas foram registados. Os números têm um significado profundo para quem trabalha na produção, entendida como a criação de condições para o programa ir ao ar com a qualidade que o público merece.

Florentino Calei, assistente de produção, mostrou-se satisfeito pelo reconhecimento público de ouvintes ao telefone e não só, até porque, «não é fácil sairmos à rua em busca de entrevistas; há pessoas que nem querem falar aos microfones do Viver para Vencer», agradeceu emocionado.

A festa que começou no quintal da rádio Morena, donde o programa foi excepcionalmente emitido e continuou noite a dentro na sede da AJS, bairro da Santa-Cruz, Lobito, onde nos aguardava um jantar de confraternização preparado por Mariana Teixeira, nossa colega. E... “cuiou”, de facto!

AJS—”A cidadania é resultado de um exercício permanente de educação e comunicação”

Temos vergonha das nossas línguas?

O uso das línguas nacionais na promoção da saúde pública foi tema de debate, na 51ª edição do programa radiofónico “Viver para Vencer”, no passado dia 09/10, juntando mobilizadores comunitários, jornalistas e técnicos de saúde.

«A nossa população nem toda consegue entender o português. E, na sua maioria, a juventude, pelo contrário, não entende a língua nacional e também tem dificuldade em se expressar, como tal, em português» caracterizou Adriano Justo (AJ). E atribui tal fenómeno ao desprezo que o colonizador, durante séculos, impôs às nossas línguas nacionais, «de tal modo que os pais não transmitiram estas aos filhos», defendeu AJ.

Do mesmo ponto de vista alinha Adelino Kosengue (AK), do Departamento Provincial da Cultura, que julga necessário debater-se sobre o assunto: «porque a nossa juventude, muitas vezes não percebe o que é a língua nacional e se calhar dá importância a outras línguas e deixa aquilo que é natural, do seu país, da sua origem», descreveu.

Questionado sobre a razão de trazer a utilidade das línguas nacionais para debate, o Produtor do programa, Júlio Lofa, argumentou: «nós estamos também preocupados com as pessoas que vivem nas comunidades muito distantes das zonas urbanizadas», para adiante notar que «há muitos projectos a serem desenvolvidos aqui; e o problema da saúde preventiva não é só das cidades, mas também daquelas comunidades onde não se fala o português ou fala-se com muita dificuldade. Portanto, há toda uma necessidade de nos avaliarmos, nós activistas que estamos neste desafio, se, de facto, estamos em condições de levar a mensagem lá onde existe pessoas que precisam de uma outra língua para terem uma informação correcta», justificou.

Com base na sua experiência de jovem promotor da saúde, João Pedro (JP), do projecto da Cáritas Diocesana, “Vida com Esperança”, conta que a dificuldade aumenta à medida que se deixa as sedes municipais, e se atinge as zonas recônditas, exigindo do técnico a adaptação à realidade local para o êxito da missão.

AJ sublinha ainda como incentivo à juventude no uso das línguas nacionais o enquadramento de novos quadros em vários sectores da função pública, ante a necessidade de se adaptarem, para a vital comunicação, ao uso da língua dominante nas áreas em que são inseridos. «Na área de saúde, o conhecimento da língua local é muito importante, porque quando o técnico se expressa na língua materna, o doente tem mais liberdade de se expressar», disse.

«Tenho um sobrinho que, hoje mesmo, perdeu a oportunidade de “agarrar” um emprego por não saber falar a língua nacional», lamentou ainda AJ.

César Kangwe (CK), músico e locutor da língua Umbundu há 23 anos ao serviço da Rádio Nacional, denunciou que na sociedade benguelense o quadro da rejeição virtual da língua materna é mais notório, contrariamente ao que se assiste com os kimbundu, Cokwe, por exemplo.

«Até há pessoas mesmo que sabem falar Umbundu e fingem que não o falam. Procuram formas, quando quiserem pronunciar uma ou duas frases em Umbundu, de fugir um pouco da fonografia da língua, desafinam, que é para darem a entender que não falam. Esse é um pecado que a sociedade vai cometendo», condenou CK.

Mas como fazer com que os termos correntes nas cidades não representem um lesar dos costumes e sensibilidades uma vez levados às zonas rurais? JP reconhece ser uma constante difícil, mas superável: «uma das grandes vantagens que têm feito com que não tenhamos tantas dificuldades, é a recruta dos activistas comunitários locais. E estes submetidos a uma formação, também vão nos ajudar a levantar os termos, especificamente, na língua materna», revelou.

Por seu turno, o Coordenador do Projecto “Viver Contra a Sida-3”, Salomão Gando, é de opinião que o contacto com as línguas nacionais para técnicos de saúde deve iniciar mesmo durante o processo de formação, durante a fase de estágio curricular.

A reportagem simultânea do programa radiofónico “Viver para Vencer” e do Boletim “A Voz do Olho” ouviu Justino Tchapwiya, professor e responsável da Associação dos amigos da língua inglesa (Afela). Tchapwiya recorreu ao exemplo das igrejas na veiculação do evangelho para ilustrar a utilidade da língua local para que a população compreenda a mensagem que lhe é transmitida. Contudo, considera ser necessário trabalhar-se mais com o activista, o mobilizador comunitário, em termos de seminários, palestras e treinamento para passar a informação de base, cooperando com sobas e agentes comunitários, uma recomendação também reforçada por Armindo Jonatão, funcionário do Departamento Municipal do Lobito da Cultura.

O representante do Departamento Provincial da Cultura, AK, lembrou algumas recomendações do 2º Encontro Sobre as Línguas Nacionais: «Que se proceda a integração das línguas nacionais em todos os domínios para que elas possam contribuir para o desenvolvimento global do país; que se proceda a valorização, protecção e divulgação das línguas nacionais como forma de preservação da cultura nacional e consolidação da integridade cultural».

Entretanto algumas iniciativas mereceram elogios dos convidados ao debate. Tal é o caso dos painéis com mensagens de boas vindas “Akombe veya”, por ocasião do Afrobasquete 2007.

Terá faltado respeito em Joanesburgo? Lucky Dube assassinado por "batuqueiros"

“Uma morte absurda”, assim consideraram amigos, artistas, políticos, intelectuais, enfim, cidadãos do mundo, quando apanhados desprevenidos pela velocidade sanguinária da violência urbana na África do Sul. Segundo a polícia, Lucky Philip Dube, de 43 anos, foi assassinado por supostos ladrões de carros, ou “batuqueiros” como são conhecidos entre nós, no dia 18/10, depois de ter deixado dois filhos adolescentes, à noitinha, em casa de um irmão em Rosettenville, subúrbio de Joanesburgo.

Os meliantes surgiram de súbito, abriram a porta de seu Chrysler e dispararam à queima-roupa, uma cena assistida pelo filho, que chamaria pela polícia instantes depois, enquanto o artista tentava fugir, até a viatura embater num obstáculo metros adiante e perder a vida. A polícia já deteve quatro presumíveis assassino, entre 31 e 35 anos, nomeadamente, Sifiso Mlanga e Julius Gxowa, de nacionalidade sul-africana, e os moçambicanos Thabo Mafoping e Mbofi Mabe, cuja sessão de discussão em tribunal deveria acontecer no fim de Outubro, de modo a permitir-lhes a constituição do suporte legal a que têm direito.

No domingo, 28/10, Lucky Dube, que deixa viuva, Zenale, e sete filhos, foi a enterrar em cerimónia restrita à família e amigos mais chegados, na sua fazenda, situada em Newcastle, província de KwaZulu-Natal. O enterro entretanto foi alvo de polémica, já que, para cumprir aquilo que a família considera ser o último desejo do malogrado, o funeral deveria ser algo restrito e simples; ou seja, a participação de milhares de pessoas de todo o mundo limitar-se-ia ao velório, reservando-se os familiares e amigos chegados o privilégio de acompanhar Lucky até à sua última morada, o que, embora legítimo, é desproporcional à dimensão deste terapeuta do reggae contemporâneo.

«Devemos continuar a agir em conjunto como um povo que combate esta terrível onda de crime, que tem tirado a vida a demasiados sul-africanos», disse o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki.

Apesar de nunca ter estado em Angola, a morte Lucky Dube enlutou admiradores da sua música, amantes do Reggae e os amigos do povo-sul africano de modo geral. Amplamente anunciada pela imprensa angolana, a notícia teve como reacção mais sonante a marcha organizada pelo Movimento Rasta Fari em Luanda, a 26/10.

«É importante rendermos homenagens as pessoas, como ele, que lutaram pelo bem-estar social, e condenar estes tipos de acontecimentos criminais, porque só assim conseguimos demonstrar para as outras pessoas que estamos unidos em laços de irmandade», disse à Angop o ancião da comunidade Rastafari de Angola, Faia Congo.

O relatório da polícia enfrenta ainda um implícito inconformismo quanto à ideia de se tratar (só) de um assalto de ladrões de carro, já que, para além de não ter sido levada a viatura, Lucky Dube é a segunda celebridade abatida em menos de um mês. No passado dia 15/10, o actor Patrick 'Kid' Mokoena, que se notabilizou na série televisiva 'Soul City', foi também assassinado a tiro num bar na zona de Jeppe, perto do centro de Joanesburgo.

A criminalidade é um gritante ponto fraco da governação do país que se ressente ainda do espectro do Apartheid, regime baseado na segregação etno-tribal e na supremacia económica, cultural e política da minoria branca, tendo sido o uso da violência recurso do povo negro na luta pelo direito à dignidade. E a insegurança poderá afugentar turistas e investidores quando a África do sul albergar o Mundial de Futebol em 2010.

De acordo com o site brasileiro www.primeirahora.com.br, citando fontes oficiais, a África do Sul regista mais de 19 mil assassinatos e 400 mil ataques por ano. A polícia sul-africana registou aproximadamente 20 mil assassinatos no período entre Março do ano passado e o primeiro trimestre deste ano, o que representa um aumento de 2,4 por cento em comparação com os índices do ano passado. São também tidos como altos os número de estupros e de roubo de carros(Reuters).

Perfil

O nome Lucky foi-lhe atribuído pela mãe por ter nascido em condições difíceis de saúde, a 03/08/1964, em Ermelo, no Transvaal Leste, hoje Mpumalanga. Cresceu sob cuidado da avó, enquanto a “mãe solteira” Sarah, tinha de trabalhar. Sua infância foi marcada pela miséria e pelo Apartheid.

Iniciou a cantar em bares na sua cidade natal e na igreja, e logo fez parte da banda Love Brothers, na qual tocava mbaganga durante dois anos. No início dos anos 80 decide abraçar então o estilo Reggae.

Criança ainda, trabalhou como jardineiro em casa de uma família branca, o que viria abandonar face as humilhações e pouca remuneração, optando por estudar. E na escola forma a sua primeira banda,'The Sky Way Band'. Desde a gravação do primeiro álbum em 1986, "Rastas Never Die," sufocado na época pelo poder da sensura, até atingir o apogeu, Lucky manteve a humildade, o que lhe permitiu estar sempre perto do seu povo. Lucky Dube foi o primeiro artista negro na África do Sul com a música a tocar numa estação de Rádio.

Ao contrário do estereotipo de músicos, especialmente do estilo Reggae, Lucky Dube não fumava marijuana (liamba), não bebia, muito menos permitira integrantes da banda consumirem álcool antes do espectáculo. A sua mensagem aborda questões políticas, sociais e pessoais – coisas que jogam importante papel na vida de qualquer cidadão. Uma vez foi questionado sobre o que o inspirava, ao que humildemente respondeu: «As pessoas! Olhar as pessoas, observar movimentos e o que fazem, em situações e experiências da vida real de pessoas» (blackwomanineurope.blogspot.com.

Publicou 21 álbuns em Zulu, Inglês e Afrikaans, num período de 25 anos, e conta ainda a sua trajectória com 20 distinções pela voz, música e vídeo, chegando mesmo a ser condecorado cidadão honorário do Estado de Texas, EUA, a 27 de Maio de 2007.

«O amor e o respeito deviam andar de mão em mão; é impossível ter amor por alguém se não o respeitas. Com respeito, o mundo pode ser um local melhor para se viver», era a forte convicção de Lucky Dube quando lançou o seu último álbum “Respect”.

Por: Gociante Patissa (www.angodebates.blogspot.com)

A nicotina (tabaco) Aspectos históricos e culturais ... Cuidado com as drogas— Prevenção e orientação sobre o uso indevido de drogas

Planta originária do continente americano, o tabaco já era fumado pelos índios desde antes da chegada dos colonizadores europeus. Esse hábito, como os demais de mascá-lo ou aspirá-lo, foi sendo adquirido também pelos viajantes europeus que vinham à América.

Foi, somente em 1560, que o uso do tabaco veio a tomar grande impulso na Europa, a partir da propaganda de Jean Nicot-diplomata francês cujo nome originou a palavra NICOTINA- de que ela possuía "maravilhosos poderes curativos". Foi Nicot que introduziu o seu uso na França. Com o passar do temo, o hábito de fumar tabaco ia se propagado e, no século XVII, já era vício generalizado em toda a Europa, alcançando também a África e Ásia.

O tabaco perde, contudo, sua auréola de "remédio para todos os males", restringindo seu uso à população de baixa renda. Mas aos poucos vai ganhando o gosto da nobreza e da burguesia e, por fim, no início do século XVIII, é um dos maiores valores de comércio internacional. O cachimbo no século XVII, o rapé e o hábito de mascar no século XVIII, assim como o charuto no século XIX, foram formas muito comuns do uso do tabaco nas respectivas épocas.

Mas a grande "democratização" do consumo de tabaco veio a acontecer no século XX, com a expansão do hábito de fumar cigarro. Originário dos "papeletes" ou "papelitos" espanhóis do século XVII e do "cigarette" francês do século XIX, o cigarro se popularizou de forma impressionante no século XX, sobretudo depois da Primeira Guerra Mundial. Apesar de existirem vozes se opondo ao uso do tabaco, este sofreu uma expansão constante e crescente. Somente na década de 60, com a revelação dos cientistas de que o cigarro provoca câncer no pulmão e outros males, é que se deu início a uma campanha contra o seu uso. Certos grupos tomam esta campanha como uma verdadeira "cruzada".

Efeitos físicos e psíquicos

Comsumida por via oral ou nasal, a nicotina, componebte do tabaco, é considerada uma droga estimulante. Nao possui nenhum efeito terapêutico, provocando dependência física e psíquica. Provoca tolerância, ou seja,o organismo adapta-se a sua presença através de um processo biológico, e sujeita a síndromas de abstinência os indivíduos que param de fumar de uma maneira brusca. Entre as 4 mil substâncias existentes na fumaça do tabaco, a nicotina é a responsável pela dependência física, caracterizada por sintomas de irritabilidade, palpitação, tontura, ansiedade e fadiga.

Outras consequências físicas:aumento da pressão arterial, diminuição do fluxo sanguíneo para a pele, diminuindo a temperatura; aringites, bronquites, falta de apetite; perturbações da visão; diversos tipos de câncer; doenças cardiovasculares, angina, enfarto.

Por: José Sende (josesende2005@yahoo.com.br )/ Colaborador repórter do Boletim "A Voz do Olho"

Mais um desafio para estudantes e investigadores... Balombo considerado passado relevante para a história de Angola

O chefe da secção municipal da Cultura no Balombo, província de Benguela, Daniel Kundy, considerou recentemente que aquela região constitui passado relevante que pode ajudar a enriquecer significativamente a história geral de Angola.
Falando à Angop, o agente cultural disse que dados disponíveis revelam que o Balombo é habitado por povos oriundos de diversos reinos que existiram antes da chegada dos portugueses, isto em 1842. Apontou os reinos do Bailundo, Tchiyaka, Kaconda, Ngaguela e dos Ambós, como provável origem da população que hoje habita o território denominado Balombo, cujo número de habitantes se estima em cerca 169 mil.
O facto de existirem duas versões sobre a provável origem da população do Balombo e tendo em conta os vários vestígios deixados pelos antepassados, a fonte é de opinião, tornar-se necessário que os historiadores aprofundem o estudo sobre esta temática.
"A terminologia dos nomes dos cidadãos também revela as diferenças de origens, pois existem indivíduos cujos nomes indicam que os seus antepassados são dos Ngaguelas como é o caso de Ndala, Muntango e Nhama. Outros são próprios para a província da Huíla como Kavendji, Kavendjele e Kuateiko", argumentou Daniel Kundy.
Os habitantes da região têm como língua nacional o umbundu e comungam os mesmos hábitos e costumes. Os métodos de cultivar a terra e de criar o gado são os mesmos.
No sector cultural têm em comum as danças tradicionais, designadamente tchipuete, nhantcho, litamba, mangando, ndunguma, tchingunfo e thingandji. Texto: Angop, Benguela, 15/10 (foto: Arquivo AJS)

Sociedade civil deve participar na resolução dos problemas do continente

O especialista em Relações Internacionais, Mário Pinto de Andrade, defendeu, a 30/10 em Luanda, a necessidade das elites políticas angolanas darem a conhecer à sociedade civil os principais problemas que assolam o continente africano.

Defendeu tal posição na palestra sobre o tema “da OUA- a UA e a questão Estados Unidos de África", inserida nas primeiras jornadas científicas das Relações Internacionais, na Universidade Lusíada.
O também docente universitário destacou que as elites angolanas devem dar mais espaço à sociedade civil para puderem dar o seu ponto de vista sobre os principais conflitos que assolam o continente.

“É necessário que a questão da criação dos Estados Unidos de África sejam debatido em universidades e workshops, evitando assim que os documentos não sejam guardados nas gavetas, mas sim debatidos pela sociedade civil", disse.

Acrescentou que, nos demais países africanos os lideres discutiram o tema nas universidades e nos medias, com o intuito de se dar a oportunidade à população para apresentar sugestões sobre a criação de uma possível Federação dos Estados Africanos.

Referindo-se sobre esta questão, considerou uma utopia a criação do Estados Unidos de África, pois nenhum Estado africano encontra-se em situação de ceder parte da sua soberania a um órgão decisório.

Mário Pinto de Andrade frisou ainda que a integração regional no continente africano é deficiente, pois só agora os estados estão a dar passos largos para a materialização desse objectivo, como é o caso da SADC (Comunidade Desenvolvimento dos Países da África Austral). Fonte: Angop

Na passagem de mais um “9 de Outubro”... Sociedade preocupada com o futuro dos serviços de correio


Há pouco menos 20 anos, os Correios lideravam enquanto factor universal de união, tanto ao nível de instituições, como também familiar ou pessoal. Tal como o número de telefone, era o número da caixa postal referência obrigatória dos cartões de visita e da troca de endereços no geral. Hoje, porém, em Angola, o serviço de correio postal tem sido relegado ao penúltimo plano, perante o colossal progresso das tecnologias de informação e comunicação.
As correspondências enviadas em métodos convencionais pelos Correios de Angola continuam a ser definidas pelo seu peso em função da via quer seja normal, registada ou correio azul, de acordo com a Chefe adjunta da Estação Posto da Vila Alice, Suzana Jambela, ouvida pela televisão estatal. “A via normal não tem urgência e pode levar 8 dias, por registo a correspondência é segura e entregue ao destinatário mas já leva 4 dias ao passo que o Correio azul também é uma via urgente”, disse ao «Ecos e Factos».
Por esta razão as salas de Internet também são uma componente das Estações e têm levado muita gente a troca de correios através dos meios electrónicos de acordo com o responsável desta área da Estação postal da Vila Alice Edson Silva, Luanda. “Há pessoas que fazem negócios e recorrem a esta sala para trocar correspondências ou mandar um e-mail (correio electrónico), para um amigo que esta fora do país”, disse.
Este “brinquedo novo” que atende pelo nome de informação digital no mundo globalizado absorve a mesma energia de adolescentes e jovens ávidos de aventura e curiosidade, um instinto cíclico, tal como acontecia outrora em que era moda dedicar-se à correspondência com o mundo ocidental em busca de amizades, prendas, postais de atletas e emblemas dos principais clubes do campeonato português de futebol.
Entretanto, o mundo digital não é o único concorrente feroz dos serviços convencionais de correios. Se por um lado, face à insegurança durante o conflito armado, os serviços de correios viram-se forçados a confinarem a sua acção nas zonas urbanizadas, e que, por outro lado, os cinco anos sem guerra são insuficientes para a recuperação e expansão do serviço de correios por toda imensa Angola e além fronteira, tal facto deu oportunidade a outras iniciativas.
Na verdade, os ventos da industrialização, cada vez mais velozes, fizeram surgir no mercado angolano outros agentes com larga experiência internacional no ramo, das quais a DHL é de forte presença, com o seu célebre serviço de entrega domiciliar. Não sendo tudo, há a considerar, outrossim, o interesse de algumas companhias de aviação que operam no país. Se as companhias aviadoras antes eram a ponte entre o CTT e a satisfação dos seus clientes, hoje porém estas meteram a mão na massa.
O Boletim "A voz do Olho" sabe que o Plano Director dos Correios de Angola almeja operacionalizar 124 Estações Postais em todo país, incluindo de 69 que foram destruídas pela guerra.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Obrigado, senhor Agente... É essa a polícia que queremos

Agente de Trânsito dá prioridade a zungueiras

Cidade de Benguela, 14/09: Um agente regulador de trânsito da polícia nacional destacado no cruzamento da Naipe, como é vulgarmente conhecido, tomou a liberdade de revolucionar um pouco a sua forma de actuar, no início da tarde desta quarta-feira: perante um trânsito incomodado pela lama da chuva da noite anterior, o agente abandonou a pinhanha e, num gesto ímpar, via-se, de vez em quando, o agente suspender a marcha das viaturas para permitir a travessia de vendedoras ambulantes, as quais acompanhava com a mão no ombro, num gesto típico de “irmão mais velho”.

Esse gesto pode, aparentemente, ser irrelevante para muito boa gente, menos para aqueles que acompanham com preocupação a dificuldade que os nossos vendedores ambulantes enfrentam no seu dia a dia, quanto mais não fosse pelo risco de atropelamento, sobretudo em áreas sem passadeira de peões como tal.

Numa sociedade como a angolana em que a relação entre vendedores ambulantes e agentes da ordem é conhecida principalmente por alguma violência e usurpação de haveres, é de todo justo merecedor de um grande elogio esse gesto.

Gociante Patissa (www.angodebates.blogspot.com)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Núcleos "escolas amigas da criança" disputam torneio em futebol

Disputou-se, de 29/09 a 05/10, o Torneio Inter-escolar em futebol infanto-juvenil, do qual participam quatro núcleos escolares, nomeadamente, 17 de Setembro do Chimbuila, Centro Rei Mandume da Zona Comercial, Mutu ya Kevela doBairro da Luz, e Rei Mandume da Santa Cruz, todas elas da cidade do Lobito. O torneio, cuja primeira edição foi lançada o ano passado com participação de núcleos escolares da cidade de Benguela, é uma iniciativa da Coligação “Ensino Gratuito, Já!”, através do seu projecto “Escolas amigas da criança”.

Nos bastidores da equipa da Santa-Cruz, vencedora da edição passada – na altura sob o comando de César Menha – reinava um misto de ansiedade e optimismo quanto à manutenção do título e à adaptação da nova equipa técnica, a dupla Justo e Amado.

As partidas decorreram no campo da Escola de Formação de Oficiais, no bairro da Luz, Lobito, tendo ficado a classificação da seguinte forma: 1º lugar -Núcleo da Escola Rei Mandume, Santa-Cruz; 2º lugar para a escola 17 de Setembro do Alto-Chimbuila, zona Alta; 3º classificado - Escola Mutu ya kevela do bairro da Luz e em último lugar o Centro Rei Mandume, da zona Comercial.

Numa excursão marcada pela diferença... AJS leva teatro e educação à Praia da Caota

A excursão de carácter recreativo e educativo, que teve lugar, no transacto dia 23/09, na praia da Caotinha, um canto turístico de referência obrigatória em Benguela, constituiu o ponto mais alto das actividades agendadas para o mês de Setembro. Sob o lema “Com preconceito você não vê as coisas tal como elas são”, o evento juntou mais de 90 jovens vindos do Lobito, Catumbela, Benguela e Baía Farta.
Teatro, poesia, jogral, corrida de sacos, partidas de futebol, rechearam a excursão, que conseguiu ocupar o tempo livre da juventude de forma construtiva, com os olhos postos na cidadania activa e na mudança de atitude ante às Infecções de Transmissão sexual (ITS). Tanta foi a força do evento, que cerca de 25 banhistas encontrados no local se juntaram à festa.
Estando próximo o fim da terceira fase de implementação do Projecto “Viver Contra a Sida, Cidadania e Saúde preventiva”, a excursão foi igualmente uma oportunidade de auscultar opiniões dos participantes sobre as actividades que vêm sendo realizadas de forma directa em algumas comunidades da periferia do Lobito (São João e Santa-Cruz, Lobito, Curral e alto Chimbuila, Catumbela) e, de modo geral, aos restantes municípios do litoral da província, Benguela e Baia Farta.
A Coordenação Executiva da AJS e a equipa gestora do Projecto avaliaram de muito encorajadora a primeira experiência com excursões à dimensão tri-municipais.
Aliás, satisfação foi também o que revelou o professor Alfredo Lobito, em representação da Escola “Bom Samaritano”, plantada no morro da Kalumba-Lobito, para quem eventos deste tipo são de louvar e devem continuar.
Para Félix Rodrigues “Guy”, um dos responsáveis do grupo de teatro de intervenção formado por activistas voluntários pela AJS, a actividade exigiu grande responsabilidade, dada a tendência juvenil de irreverência. Gostou, no entanto de ver “convidados a se divertirem”, disse.
Fonte: Boletim "A Voz do Olho", Setembro /07 (AV-O/ Palmas da Paz)

Denúncia: "Há cábula em todas as instituições de ensino" (Ajuda à memória ou vergonha do nosso sistema educativo?"

Você já fez cábula? É uma pergunta aparentemente simples, mas que deixa pouco à vontade muito boa gente, a depender da circunstância. Uma prática antiga e ainda polémica. A 47ª edição do programa radiofónico “Viver para Vencer”, oferta da AJS através da Rádio Morena, foi dedicada ao debate antecedido de uma reportagem sobre o fenómeno cábula. É simplesmente uma ajuda à memória ou algo que se deve combater?
Ouvimos Valdemar Manuel, estudante finalista do Instituto de Ciências Religiosas de Angola (Icra): “Já fiz cábula uma vez. Tinha dificuldades em História e decorar números. Na altura não sabia que era tão bom ter a capacidade de decorar números. Então as datas e séculos escrevia nas mãos”, confessou, para a seguir apontar a prováveis causas: “A preguiça mental, alguns porque são viciados, outros porque não se acreditam que são capazes de reter ou compreender o conteúdo que têm. Alguns alegam falta de tempo e por isso fazem cábula”. Preocupado com o futuro, Valdemar aconselha: “A cábula não leva a um conhecimento eterno, leva sim a um conhecimento imediato. Vocês têm que optar em estudar”, frisou.
Outra estudante, de 18 anos, finalista do Centro Pré-universitário (Puniv), que só sob anonimato aceitou falar à nossa reportagem, denuncia como o avanço da tecnologia é aproveitado para aperfeiçoar a cábula. “Agora, com a tecnologia, já dá para fazer cábula pelo telefone, pen-drives. Antes era com papelinhos, escrever nas carteiras, nas batas”.
Já o docente de Práticas de Metodologia de História no Imne do Lobito, Ismael Andrade, considera que a forma como se elabora a prova e a característica da sala podem estimular o aluno a fazer a cábula. “Temos que culpar alguns professores que na elaboração das suas provas convidam os alunos a, em vez de puxarem pela cabeça, tirarem o recurso ilegal que trazem para tirar notas positivas, e a disposição da própria sala de aula. Se o professor não verificar as carteiras, se a sala não permitir que os alunos se sentem mais confortavelmente também facilita a cábula. E, por último, a forma de elaborar a prova, usando perguntas directas do princípio ao fim, o aluno fica preguiçoso”. Desafiado a deixar recomendações, Ismael não hesitou: “Provas bem elaboradas, professores actuantes e com sanções adequadas, acredito que por essa via a prática da cábula vai diminuir gradualmente das nossas escolas”.
O painel de convidados no estúdio constituiu-se de agentes com experiência na docência, entre eles os representantes do Ministério da Juventude e Desportos e o da Escola do segundo nível Luís Gomes Sambo.
No entender de Manuel Kavambi, docente do ensino médio e estudante universitário, “a cábula é um fenómeno social que ameaça o futuro de qualquer sociedade e nunca foi ajuda à memória. Antes de mais, no momento em que um estudante estiver a usar a cábula, ao invés de ajudar a memória estará a dispensá-la”, asseverou, para adiante considerar com ironia que cabular é só “um simples exercício de caligrafia.”
O educador social Manuel Rita Gaspar vê na cábula um fenómeno social que atinge todos os níveis de ensino e lamentou ainda a falta de uniformidade nos critérios de sanção, já que, referiu, cada escola age à sua maneira. “Porque há até alunos apanhados a fazerem cábula e tiveram um tratamento, mas outros noutra escola o tratamento foi diferente; só foram retiradas as folhas de provas e receberam outras para continuaram a fazer. Acho que isto não é correcto!”, condenou, sugerindo ao Ministério da Educação a estipulação de medidas disciplinares. “Eu penso que, quando se trata de escola, independentemente da entidade que a promove, a política de estado é tutelada pelo Ministério da Educação. Quer seja a escola da igreja, ONG, colégio, é o Estado quem deve meter a mão e solicitar essas forças vivas e traçarem mecanismos para actuarem neste sentido”, asseverou.
Entretanto quanto a sanções disciplinares, defendeu o representante do Minjud, Ndituavava Gonçalves, “elas estão regulamentadas. A aplicação é que não tem sido aquela. Existem escolas mais flexíveis. A questão só está aí e não na falta de medidas”.
António José, docente da escola do segundo nível “Luís Gomes Sambo”, contou que naquela instituição as crianças também já dão sinais de prática de cábula, embora sejam fáceis de detectar dada a pouca experiência, mas no ensino de adultos, o problema é mais sério. Por exemplo, como se vendiam folhas de prova com certa antecedência, estudantes há que traziam-nas já preenchidas com o que presumiam vir à prova e outros escrevem a matéria nas carteiras.
É caso para pensar: qual é o resultado de um médico que se formou no ciclo vicioso da cábula? De resto, a preocupação contra as fraudes nas provas não é recente. Pelo menos até finais de década de 80 os enunciados, a chave bem como as folhas de prova do segundo nível em diante eram trazidos ao recinto escolar por oficiais da Segurança do Estado devidamente uniformizados e identificados, sendo óbvio o clima de medo quanto a eventuais consequências. Se foi o método mais eficaz ou não, isso não é para aqui chamado. Entretanto, o que importa é ver que, como qualquer problema, mais do que dar relevância ao tratamento das consequências, no caso a sanção, impõe-se a adopção de medidas que visem tratar o problema a partir da sua origem, sendo a cábula uma questão de atitude.
Víctor Barbosa, por exemplo, que durante mais de 30 anos foi director de um Puniv, em Luanda, é de opinião que “a cábula resolve-se com muitos outros aspectos, não apenas com punição quando ela acontece. Temos que criar um ambiente escolar, menos alunos por professor, espaços que permitam os alunos questionarem o que estão a aprender e sentirem que todos os momentos em que estão na sala de aulas são momentos para porem à prova aquilo que sabem e não apenas no momento da prova. Acabar com o excesso de peso que se dá à prova”, o que, em sua análise, “várias vezes traumatiza também os próprios alunos e é necessário criar um ambiente de maior diálogo; e a democratização da escola podem contribuir para o combate à cábula”, acentuou aquele pedagogo assumidamente seguidor de Paulo Freire.
Fonte: Boletim "A Voz do Olho", Setembro /07 (AV-O/ Palmas da Paz)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sociedade debate situação do seropositivo em Angola

Dados da Onusida divulgados o ano passado estimam para a existência de 400 mil seropositivos angolanos, com base numa prevalência de 2,5 por cento, dos quais 120 mil seropositivos precisam urgentemente de tratamento com anti-rectrovirais, quando recebem este tratamento apenas oito mil pessoas. Enquanto isso, não poucas vezes, ouvem-se queixas de atitudes de discriminação para com seropositivos em diversos campos.

Neste contexto, agendou-se para debate o tema “Situação do seropositivo em Angola”, para se discutir sobre a problemática da seroprevalência em Angola, apelando à sensibilidade das instituições estatais, sociais e pessoas colectivas e singulares, quanto ao apoio multiforme a pessoas vivendo com o VIH, moderado por Edmundo Francisco.

Para a Docente Universitária Natália Mahamba(NM), Psicóloga Clínica e Mestre em Educação Especial, “falar da Sida, nos tempos de hoje, diríamos que é muito mais problemático. Porque na verdade a Sida é uma doença que até ao momento a nossa medicina ainda vê como um problema crónico e que se faz acompanhar de bastantes repercussões negativas, pelas quais é preciso dar não só um suporte médico, mas sobretudo o psicológico. Porque, na verdade, de Cabinda ao Cunene já se fazem muitas buscas, muito socorro à volta da Sida, mas apenas na perspectiva médica. Na perspectiva psicológica ainda se faz muito pouco, porque ainda temos poucos profissionais na área. E por outro lado, porque os doentes e familiares também não conhecem esse outro tipo de tratamento, outra alternativa. Não vou dizer que tenhamos que optar por um tratamento ou por outro, mas, na verdade, esses dois tipos de tratamento, o clínico médico e o clínico psicológico devem fazer-se acompanhar”.

No entender do Padre Alberto Mandavili (AM), “a auto-discriminação dos seropositivos às vezes parte do contexto: não têm aceitação na família, no serviço, no convívio diário, a tal relação deixa muito a desejar e ficam à distância”, considerou.

Enquanto decorria o debate, a equipa de reportagem deslocou-se à vila piscatória da Baia Farta, 25 km da sede da província, para colher opiniões. Para o cidadão Francisco Tambu, professor, “a situação é preocupante, porque até agora há pessoas que vivem no obscurantismo e não aceitam que o VIH-Sida existe”.

Como se explica a ignorância quanto ao VIH-Sida, passadas várias décadas?

“Esta ignorância—responde NM —, eu poderia considerá-la no contexto daquilo que na literatura psicológica falamos que funciona como mecanismos de defesa”, referiu. De seguida acresce: “O portador do VIH-Sida emocionalmente ou na perspectiva psicológica vive aquilo que podemos considerar como já uma situação de luto. Porque se é uma doença crónica, o que é cónico praticamente nos conduz à morte e esta morte que, naturalmente, ainda não terá acontecido, no ponto de vista psicológico ela já está ali. E se é morte que se avizinha, se é morte que nos envolve, não obstante já estarmos num estado de luto, uma situação que passa por cinco estágios: a negação, a raiva, a negociação, o luto – que se acompanha de um quadro de depressão ou cisma – e o estágio aceitação.

E explica: “Na primeira reacção, a de negação, a pessoa diz ‘eu não; por que eu?’, e o doente recusa a aceitar que a morte está a chegar, e recusa-se a aceitar que o que o médico diz pode ser verdade. Já no estágio da raiva, o doente expressa inveja de quem não tem a doença, ressentimento – talvez pelo que tenha feito, e frustração face a pessoas saudáveis. No estágio de negociação, vive-se uma sensação de querer voltar atrás, a culpa, o mal feito (“se eu pudesse”) o paciente torna-se muito religioso e se calhar começa buscar várias seitas”.

É claro, um assunto na termina quando o debate se encerra.

Por ora, um conselho nacional: “Se antes nos escondíamos para morrer, agora nos mostramos para viver”

Pensar como Zungueira

Manhã de sol envergonhado, na periferia. Poucos meses faltam para o fim d’ano, o cacimbo dá lugar ao calor. Três mulheres distanciam-se cada vez mais do subúrbio, numa direcção ainda difícil de adivinhar para o observador por quem passam. “Bom dia, mano!”, saúdam em coro como mandam os bons costumes.

– Zungueira te sustenta, diz uma.

– Mulher kunanga é prejudicial, denuncia a segunda.

– É muito burro; não sabe que, quando sai, a mulher dele entra com outro homem em casa! – condena a terceira, trazendo à luz o motivo da conversa.

Uma delas leva às costas um bebé, que, tal como o observador, ignora positivamente se o passo semi-apressado é para findar apenas na paragem de Hiaces e autocarros, a dezena de metros, ou se a meta provisória é a estação de Comboio, a um quilómetro. Seja como for, o que é certo mesmo é que o mediático "Afrobasket" passa bem a leste das suas preocupações. Também, a lei da sobrevivência na city é clara: cabrito come papéis, pessoa come dinheiro. “Zungueira ou lavador de carros, não é de se ter vergonha”, já cantavam os outros.

Já agora com o fio da conversa em posse, o observador, que não passa de simples figurante nesta cena flagrante da vida real, segue discreto os passos das jovens senhoras, para perceber ainda melhor como pensam as profissionais da zunga. A curiosidade reside não tanto em “quem é ele?”, mas principalmente no “que se vende?”. Não levavam à cabeça baldes brancos, logo não podiam ser vendedoras de yogurte caseiro.

Vão na casa dos 24 anos, isso dependendo do ângulo de observação. O timbre de voz denuncia a juventude por detrás da velhice aparente. Na forma de vestir se via revelada a coabitação entre a idade cronológica e a responsabilidade social no contexto peri-urbano. Ou seja, muitas vezes, não se é adulto só pelo número de vezes que se “viveu” o natal, mas, isso sim, a partir de quando se deu à luz – não importa se em casa dos pais ou se em “beco” próprio.

– Saio de manhã p’ra fazer o meu dinheiro. No fim do mês ainda posso apresentar uma quantia boa na minha pasta – insiste a primeira.

– Ele não sabe. Pensa que zungueira é mulher qualquer – diz a segunda.

– Mulher é aquela que não se deixa!

Lá vão os tempos em que o ganha-pão era tarefa só dos homens, quando ninguém engravidava antes de formar seu próprio lar. Mas a coisa mudou como, então? Uns acusam as mulheres de facilitar. Mas outros acham que ter muitos filhos é uma questão de “patriotismo”. Convém explicar: se Angola tem mais mulheres do que homens, é “ético” os “poucos” que sobram fazerem a vez dos demais tombados pela liberdade histórica. É tempo de união e não de ser cototó... ora essa, pá!

E a sobrevivência tornou-se questão de equilíbrio (inclinado) de género, onde a mulher carrega tudo: carrega a criança às costas, carrega o sol na testa quando sai e regressa com ele “nos cornos” à noitinha, trazendo os mantimentos para o dia – porque para amanhã, vê-se amanhã! Enfrenta ainda a ingratidão do marido, que já está com os copos.

E carrega as lamentações das crianças por falta de caderno e lanche, as quais tem que aturar até à hora da novela; depois vem a ordem do marido, que “já quer fazer” e não se lembra que a esposa não teve tempo sequer de tomar um banho e preparar a mente para mais um suor sagrado, muito menos se está no período fértil ou não. “Em casa manda ela e nela mando eu”, pensará o machista de gema, que mesmo com a 4ª classe não aprendeu a mudar de mentalidade.

Conhecem a cidade não pelos monumentos, mas em função dos clientes que se familiarizaram com os seus pregões e produtos. São para o turista uma espécie de paisagem. Levam os supermercados ao portão do habitante preguiçoso, conhecendo pela necessidade a cidade de lés-a-lés. São o rosto visível do fenómeno que lançou a mulher para as ruas dos centros urbanos, no seu dever de produzir para sustentar a sociedade – a mesma que a condenará amanhã por não ter ido à escola e não participar na vida política.

Gociante Patissa (gociantepatissa@hotmail.com)
www.angodebates.blogspot.com

“Noite de Palco Aberto” "A Juventude e o seu Contributo na Manutenção da paz"

O debate aconteceu no dia 06 de Agosto de 2017, Domingo no pátio dos escritório da AJS...