segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Editorial: Presos na ironia do "Ciclo do Projecto" (Já circula a ediçao de Outubro do AV-O)

Seriam de lembrar com nostalgia — se fosse possível lembrar o que nunca se esqueceu — as palavras do responsável de uma ONG angolana, proferidas em 2000, pouco depois da formalização da AJS, quando ainda iniciávamos ansiosos e ingénuos o caminho pela afirmação. Dizia-nos então o companheiro que “projectos são o sangue de uma Organização”, uma metáfora pertinente, se entendermos que, face aos problemas comunitários, a inteligência e a capacidade de acção das “Organizações” devem ser sistematizadas.

Nesses oito anos de crescimento (como equipa) da AJS, o termo “projecto” passou a ter mais significado, maior presença, tendo em nossas preocupações lugar quase cativo. Um projecto representa uma oportunidade de aprender sobre e com a comunidade, conquistar doadores, exercitar habilidades, construindo assim a história da Organização.

Ora, até aqui, como muitos perceberão ao ler estas linhas, não haveria nada de novo, vendo “projecto” no seu sentido lato, tido como o estabelecimento de caminhos e paradigmas por um determinado fim. Afinal é comum ouvir que cada pessoa é responsável pelo seu projecto de vida, ou seja, que a nossa vida é um projecto. E tanto no plano pessoal como institucional, as aspirações fazem-nos lutar para o alcance dos objectivos, contornando constrangimentos.

Mas para a “nossa realidade”, o fim de um projecto, embora previsível, é sempre uma etapa de mudanças e quebra de ritmo; uma espécie de tristeza na hora da colheita para o camponês, já que a alegria dos frutos à vista não esconde a triste e habitual sensação de estar ao voltar ao ponto de partida.

Isso mesmo, a terceira edição do projecto “Viver Contra a Sida”, iniciativa da AJS desde 2001, chegou ao fim. O acordo de financiamento com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), terminou em Setembro último, tendo sido, em função dos indicadores de progresso, prorrogado até Dezembro. E embora natural a paragem, já que as etapas do ciclo do projecto compreendem a identificação deste, a planificação, a implementação e a avaliação, salienta-se contudo uma diferença. Representa uma eminente falta de recursos não só para a edição do Boletim mensal “A Voz do Olho”, distribuído gratuitamente, mas também um interregno na emissão do programa de debate “Viver para Vencer”, emitido pela Rádio comercial, por serem ambos linhas de força do projecto “Viver Contra a Sida-3, Cidadania e Saúde Preventiva”.

E enquanto, por um lado, comemorávamos o primeiro aniversário do programa “Viver para Vencer”, no final de Outubro, por outro lado, também, a Coordenação Executiva da AJS intensificava contactos com doadores para a continuidade das acções. Portanto, se algo aparentemente nos obrigar a parar, será, isso sim, a ironia do ciclo do projecto.

AJS—“Humildade, Justiça e Solidariedade”

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