segunda-feira, 9 de abril de 2007

O angolano é mau atendedor público?

Que os angolanos são ricos em virtudes, isso até é indiscutível. Mas que ainda têm debilidades em lidar com o cliente, é uma questão que se evidencia cada vez mais, muitas vezes constituindo vergonha colectiva. Falar da relação entre quem procura e quem oferece serviços é sempre um assunto polémico, como se veio a confirmar no debate do programa radiofónico “Viver para Vencer”, sob o tema “As Atitudes dos Atendedores Públicos e os Direitos do Consumidor”, na penúltima 3ª de Fevereiro.

Para o cidadão Luís Xavier, Benguela, em instituições públicas (como escolas e hospitais), a carência económica do profissional motiva o mau atendimento, “porque o enfermeiro saiu de casa e deixou as crianças sem nada e maltrata os pacientes. Temos visto que uma pessoa vem com um doente e mandam esperar tanto tempo e, por fim, muitas pessoas morrem”. Por ouro lado, (o atendimento) “principalmente no comércio, é mau!”. Não se respeitam os direitos do consumidor, já que “o cliente por mais que compre um produto expirado ou então podre, já não pode fazer devolução”. Aliás, a expressão “não aceitamos devoluções” tornou-se cartão de visita de muitas lojas, normalmente bem estampada em letreiro ou expressa na factura.

Mas “isto é contra a lei” e está ser combatido, segundo defende Feliciano Ndele, responsável do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Inadec). “Fazemos inspecções nas lojas e armazéns e onde encontramos estas prescrições, retiramos automaticamente. E se encontramos uma resistência é passível à multa”. Mas apesar de relevante a sua missão, o Inadec ainda é uma “gota no oceano” para satisfazer com grande impacto os interesses do consumidor. Há um ano na província de Benguela e com sede na Direcção Provincial do Comércio, tem poucos recursos humanos, e actua no Lobito e Benguela, ou seja, em dois dos nove municípios que a província suporta.
Diz o ditado que “o cliente tem sempre razão”, mas sempre? O Boletim AV-O ouviu dois distintos comerciantes da cidade de Benguela, Lena Fernandes e Samuel Miranda. Contaram que, tanto encontram prazer no trabalho, como têm dissabores. Ambos denunciam a interpretação distorcida da razão do cliente e a pressa de quem quer ser logo atendido.

E ao que consta, os angolanos são impacientes em tudo. “Nos hospitais, certos pacientes não querem saber quem chegou primeiro, mesmo quando a pessoa encontrada parece estar mais grave”, revelou no debate Julieta Condumula, da maternidade do Lobito.

Para Anacleto Gonçalves, que ligou do Lobito, em certos estabelecimentos, quem desorganiza é o próprio cliente, quando cada um se julga superior ao outro. Questionado se os angolanos eram bons ou maus atendedores, respondeu: “é negativo! Eu não sei se velam pelas qualidades das pessoas, quem chega de gravata, quem não”. Algumas instituições são apontadas como palco de mau atendimento, tais como os hospitais e os bancos.
E você acha que os angolanos atendem bem ou mal? Na opinião do comerciante Samuel Miranda, “de uma maneira geral, se atende muito mal. Às vezes, um simples gesto de pôr o produto no saco, isso não fazem”. Para ele, atender bem é falar com o cliente e respeitar o cliente acima de tudo.

Para Luzia José, que ligou do Lobito, o mau atendimento é causado pela falta de formação especializada. Mas se na verdade é pouco o número de escolas de formação neste sentido, também não é mentira que, para muitos empregadores, é muito mais barato recrutar funcionários de baixa qualidade. Para Luzia, a fórmula é tudo, menos construtiva, já que cada cliente mal atendido espalha publicidade negativa à credibilidade do estabelecimento.
Por seu turno, Lena Fernandes avalia de forma relativa, “não diria que estamos nem muito bem, nem muito mal”. Vê em Angola uma sociedade que caminha para o desenvolvimento, “depois de muitos anos vividos sem que muitas leis tivessem sido postas a funcionar”. E Enquanto reconhece um esforço crescente do governo, no sentido de mudar o quadro, também sente que o consumidor já é mais exigente. Hoje, diz, se um comerciante não tiver cuidado naquilo que vende, nos seus preços, acaba não vendendo, concluiu.
(Fonte Boletim informativo, educativo e cultural da AJS e amigos, Edição 1, Fevereiro 2007)

Jovens sensibilizam jovens

Se não o fizerem eles, então quem? Se não for já, então quando?
Olá, caro(a) leitor(a)!
É com imenso gosto que voltamos ao seu contacto, nessa segunda edição, da nossa segunda etapa de vida. Muitos assuntos trazemos na bagagem para partilhar consigo.
O mês de Março teve um sentido especial duplo. Se, por um lado, é sempre um prazer renovado viver o mês da mulher, já por outro, teve sabor de mel o regresso às escolas com actividades de sensibilização interpessoal para abordar questões de cidadania e saúde preventiva.
E não é tudo! A maior surpresa foi mesmo o ressurgimento do grupo de Activistas Voluntários, depois de quase dois anos na letargia. Cheio de energias e espírito criativo, conta com o ingresso de adolescentes que se dedicam à prática de teatro comunitário. O Grupo de Activistas Voluntários moradores do bairro da Santa-Cruz, no Lobito, é um colectivo voluntário, amparado pela AJS em 2004. É formado por jovens de ambos os sexos, estudantes, trabalhadores e não só, que doam o seu tempo colaborando na intervenção comunitária e promovem para si próprios oportunidades de aprendizagem e de utilidade ao progresso do país.

A Equipa do Projecto “Viver Contra a SIDA-3, Cidadania e Saúde preventiva” ganha assim mais um parceiro forte. É um exemplo de que os jovens devem assumir determinadas responsabilidades relevantes para a sua vida. Porque se não formos nós, quem? Se não for agora, quando?
(Fonte Boletim informativo, educativo e cultural da AJS e amigos, Edição 2, Março 2007)

Finalmente, o nosso regresso é certo

Por condicionalismos técnicos, o blog tem estado inactivo. Ultrpassado que está o constrangimento alheio à nossa vontade, retomamos com a publicação de artigos referentes à vida e perspectivas da AJS (em coõrdenação com o Boletim "A Voz do Olho", de publicação mensal. Mas também faremos o máximo para dar cobertura a outros eventos de outros actores a nivel local, nacional e internacional.
Obrigado
A gestão do Blog