sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A Cocaina - aspectos históricos e culturais (Foi ela quem acabou com a cantora Brenda Fassie)

Quando há dias o Jornal de Angola anunciava a detenção de uma cidadã cabo-verdiana, no aeroporto da capital do seu país, em posse de “apenas” três quilogramas de cocaína, mais parecia uma questão de “ferver com pouca água”, para quem acompanha vários escândalos que envolvem toneladas movimentadas pela “indústria” do narcotráfico no mundo.

Mas o problema é mais sério do que pode parecer, dadas as suas consequências, primeiro, para a vida do indivíduo e, depois, para a sociedade.

A África do sul e o continente em geral perderam a estrela do Afropop, Brenda Fassie, com apenas 39 anos, a número 17 da lista de cem melhores músicos sul-africanos, que faleceu em Maio de 2004, após internamento num hospital. E o assassino tinha nome: consumo de drogas, cocaína.

Dados divulgados pela União Europeia em Novembro, no sítio www.dw-world.de/dw/, indicam que a UE tem um milhão de consumidores de cocaína a mais do que em 2006.

«O uso ilegal de cocaína cresce dramaticamente na União Europeia. No espaço de um ano, o número de consumidores aumentou em um milhão, perfazendo actualmente 4,5 milhões de pessoas. No dia 22/11 o Director do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (Oedt), Wolfgang Götz, apresentou em Bruxelas seu relatório anual relativo a 2007. Enquanto o consumo da cannabis e da heroína caíram, a cocaína torna-se cada vez mais popular e o número de suas vítimas fatais permanece elevado. "No tocante à cocaína, o quadro é assustador", comentou Götz. Por outro lado, relativizou: o aparente aumento drástico também se deve ao facto de os dados conhecidos até então serem incompletos, resultando numa avaliação demasiado optimista», lê-se.

Segundo as nossas fontes, a cocaína é um produto extraído da planta “Erythroxylon coca”, ou, como é popularmente conhecida, “coca” ou “epadu”.

Sendo uma planta tipicamente sul-americana, é nativa dos Andes, onde mascar suas folhas, “coquear”, é um hábito tradicional que remota vários séculos. Sua principal função é evitar a sede, a fome e o frio. Podemos encontrar em algumas sociedades Andinas, um valor cultural e mitológico ligado à coca. Em certas sociedades, por exemplo, é aplicada a folha ao recém-nascido para secagem do cordão umbilical que depois é enterrado com as folhas, representando um talismã para o resto da vida do indivíduo. Em certas cerimónias fúnebres é usada, também, mediante certos rituais, como forma de apaziguar e tranquilizar os espíritos.

O papel sociocultural da coca é importante em alguns países andinos. Dois exemplos são Peru e Bolívia, onde é consumida também sob forma de chá, com propriedades medicinais que auxiliam principalmente problemas digestivos. Sua importância é tal que, neste primeiro país, existe até um órgão do governo encarregado de controlar a qualidade das folhas vendidas no comércio, o “Instituto Peruano da Coca”. Se em alguns países andinos a coca é um bem sociocultural, histórica e tradicionalmente importante, em outros países, como no Brasil, é vista como um mal, “algo a ser combatido e exterminado de qualquer maneira”. A lei destes países procura taxar o seu uso como ilícito e a sociedade, em sua maioria, procura estigmatizar seus usuários como “desviantes” ou “marginais”. O uso comum nestes casos é sob forma de sal – o cloridrato de cocaína. É consumida via nasal, ou “cheirada”.

Por ser uma droga cara, o seu uso é dificultado a pessoas de baixa renda. Se o “pó” como é popularmente conhecido o sal cloridrato de cocaína, é muito caro, favorecendo o seu uso pelas camadas mais altas da sociedade, o uso da coca tornou-se mais acessível à população de baixa renda com o advento do crack. No crack a substância usada é a pasta básica de coca (freebasing, em inglês). Mas não é só cheirando o pó ou fumando o crack que se consome a cocaína, pode-se também injecta-la, depois de diluída em água, na corrente sanguínea.

Efeitos físicos e psíquicos

Provoca sensação de euforia e bem estar, ideia de grandiosidade, irritabilidade e aumento de atenção e estímulos externos. Com o aumento da dose: reacções de pânico, sensação de estar sendo perseguido, as vezes alucinações auditivas e tácteis (escutar vozes, sensação de bichos a andar pelo corpo). O quadro completo é chamado de “psicose cocaína”. Intoxicação aguda: em intoxicação com doses mais altas, quadro de síndrome cerebral, orgânica (SCO), caracterizado por confusão e desorientação, podendo resultar em lesão cerebral.

Efeitos físicos: aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, podendo provocar enfarto e arritmias que causam morte súbita. Menciona-se ocorrências de convulsões generalizadas e ao aumento de temperatura capas de induzir convulsões. Com a aplicação endovenosa, corre-se o risco de contrair-se os vírus de hepatite e da Sida.

José Chissende (josesende2005@yahoo.com.br)

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