quinta-feira, 12 de julho de 2007

É preciso combater o fanantismo político 2

Reconciliação nacional

Pacatolo considerou que na consolidação da reconciliação nacional, as grandes políticas não devem excluir o cidadão comum. “É bom que se retribuam camiões aos camionistas, mas é bom que se dê uma casa digna ao velho que perdeu os seus filhos na guerra, aonde possa viver com uma certa tranquilidade e passar os últimos dias da sua vida”, recomendou, para adiante referir que “todos perdemos com a guerra, mas alguns perderam muito mais e precisam ser compensados com medidas concretas. Também temos de trabalhar, por exemplo, nos aspectos da despartidarização de algumas instituições públicas”, rematou.

Socorrendo-se da sua experiência com comunidades de várias províncias do país promovendo a convivência democrática, Pacatolo garantiu que ainda acontecem situações de intolerância política. Isso porque, “a reconciliação que estamos a viver, é uma reconciliação de decretos; o parlamento lá em Luanda aprova, estamos reconciliados! O Conselho de Ministros manda um decreto, estamos reconciliados!”, ironizou, para logo considerar que é preciso fazer muito mais, até porque, “é aqui na base onde aconteceram muitos dramas. É aqui que o vizinho matou o vizinho, então é aqui que se tem de trabalhar mais!”.

Visão diferente tem o representante da Adra-Benguela e docente universitário, Armindo Gomes, para quem a intolerância política em Angola não existe, havendo quando muito casos isolados de conflitos entre pessoas. “O facto de existir uma denúncia em Benguela, por exemplo, e seis meses depois é que se houve na Huila, é um sinal de que não há grandes problemas”, defendeu. E vai mais longe ao considerar “intolerante” quem defende a tese da existência do fenómeno intolerância política em Angola. “Nós devemos encarar a vida sempre na positiva, não necessariamente na negativa”, sentenciou.

O representante da Unita denunciou casos recentes no município do Balombo, envolvendo, segundo disse, alta figura do partido no poder naquela localidade. Para o representante do Mpla, é necessário não se partidarizar conflitos familiares e pessoais, como se deu neste caso particular do Balombo, o qual motivou uma deslocação para constatar a veracidade dos factos. Para o representante da Fnla, que ainda não está implantada em todo o país, a intolerância política é um facto e “se acontece com os outros (partidos), pode acontecer com a Fnla”.

“Eu sou jovem, nasci na guerra e sofri com a guerra, chega! A pessoa não deve ser maltratada só por gostar deste ou daquele partido político”, partilhou com emoção um cidadão que telefonou da cidade de Benguela. E da mesma cidade interveio ao telefone o representante da Lardef, Abílio Xavier, que considerou “perigosa” a incapacidade de reconhecer os erros, já que está em causa a vida de seres humanos nestes conflitos com cores partidárias.

Com certeza, um debate não encerra quando um programa radiofónico termina, nem haveria espaço suficiente num Boletim para pintar em papel a emoção do encontro. Continue você o debate com seus amigos. Até lá, sugerimos o enquadramento final de Tuca Manual: “eu se me apego em tudo o que aqui foi dito, é que em primeira estância não se deve partidarizar os actos individuais; em segundo lugar, cada cidadão deve ser um procriador de paz – os seus actos, as suas atitudes, os seus momentos de interacção com as outras pessoas devem sugerir um quadro de aproximação e não um quadro de separação”.

(AJS - A cidadania é resultado de um exercício permanente de educação e comunicação)

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