quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Debate: “O Impacto das TIC no Comportamento Social”. Vídeos pornográficos nos móveis, uma questão de infantilismo e falta de educação da juventude

Ela e ele encontram-se em casa ou no carro. Vai um beijo, abraços, o clímax aquece e fazem amor como sempre fizeram, como é direito dos namorados. Só que, desta vez, ele tem em mãos um telemóvel novo, caro e cheio de funções. E, pondo em prática a máxima de que “amar e ter juízo não é possível”, ele decide filmar o acto sexual. Ela, um tanto perdida no calor do momento, ou se calhar nem por isso, sorri de surpresa, nega um bocado, mas “como ele é o dono”, deixa filmar. Depois do acto o casal ri-se do que foi capaz de fazer, quando ambos viajavam de excitação. Ela parte para a casa e “está tudo bem”. Mas só após o namoro terminar é que percebe o quão parva chegou a ser ao deixar-se filmar tal como veio ao mundo e logo na hora de obedecer a libido. Mas já é tarde: a imagem já circula na Internet e no telefone de quem quiser. Desengane-se, caro(a) leitor (a), que não se trata de um caso de ficção, mas de uma realidade que se repete.

O progresso das tecnologias de informação e comunicação, dentre as quais a informática e a Internet são os mais gigantes tentáculos, lançou o mundo para uma revolução irreversível. Como é dialéctica da vida, infelizmente, paralelamente às incomensuráveis vantagens, a globalização faz com que as fronteiras entre as nações se desvaneçam, ainda que virtualmente, permitindo que um acontecimento na mais remota comunidade seja acompanhado em tempo real em qualquer parte do mundo. E as sociedades menos desenvolvidas vêm-se então em maior desvantagem ainda para a sobrevivência de alguns dos seus aspectos culturais mais sagrados, perante as influências políticas, culturais, etc., das sociedades mais avançadas.

A sociedade angolana, e a benguelense em particular, vê-se apanhada desprevenida por este fenómeno atípico da sua forma de ser e de estar. É urgente a necessidade de promover reflexões permanentes sobre o impacto e as implicações do (mau) uso das tecnologias de informação e comunicação, TIC, no comportamento das pessoas. Foi com esta preocupação que a produção do programa “Viver para Vencer” o agendou para debate, a 20/11.

Pouco depois do anúncio do tema, da cidade do Lobito ligou um cidadão, que preferiu anonimato, chamando atenção da sociedade para o uso racional dos telemóveis: «De princípio têm uma utilidade boa para a nossa evolução, mas por outro lado temos umas grandes falhas, como o caso destas imagens que estão a aparecer agora. Acho que temos que ter mais responsabilidade com os telemóveis para que não sejam uma coisa para brincar, mas sim para resolver problemas, coisas urgentes. E dou um apelo a todo o pessoal, que se organize!». O mesmo ouvinte partilhou connosco uma experiência pessoal em que o telemóvel foi a tábua de salvação: «Foi a altura em que estava a sair de uma discoteca, o camião estava parado e como eu vinha com excesso de velocidade, cambaleei e o telemóvel foi a saída para pedir socorro», revelou.

O mundo guarda ainda frescas as polémicas imagens captadas à revelia com um telemóvel, denunciando a humilhação perpetrada por aqueles que se julgavam implementar a justiça na cena do enforcamento do antigo presidente iraquiano, Sadam Hussain. Na verdade, a ênfase ao telemóvel foi só um chamariz para uma abordagem mais alargada sobre as TIC.

Entretanto, como realça a “Gazeta Online” do Brasil, «o fosso entre os países em relação ao acesso a tecnologias de informação ainda é enorme no mundo: o habitante de um país desenvolvido tem 22 vezes mais chances de ser usuário de internet do que o de um país subdesenvolvido. No entanto, o acesso as TIC tem aumentado e se tornado mais igualitário, de acordo com o "Índice de Oportunidade Digital" da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad)». Acrescenta ainda aquele órgão informativo que, até 2006, «os países com maior índice digital são Coréia do Sul (0,79), Japão (0,71), Dinamarca (0,71) e Islândia (0,69). O Brasil não é citado no relatório resumido divulgado à imprensa. E segundo o levantamento, que será divulgado anualmente até 2015, há 3,3 bilhões de usuários de celular no mundo, o equivalente a 51,76% da população mundial. Na Europa, esse percentual chega a 124,32%, ou seja, algumas pessoas têm mais de um aparelho no continente. Na África, o percentual é de 15,92% e nas Américas, 78,94%».

O Dr. Jorge Crisóstomo, presente ao debate em representação do Comando Provincial da Polícia Nacional, considerou as TIC um factor importantíssimo a nível do universo. «Há necessidade, no caso de Angola, investir-se muito na educação. Porque nós estamos a ter a tecnologia e vai haver uma grande parte da sociedade que vai estar excluída deste grande contexto de obtenção de informação aproveitando as TIC».

Quanto à Internet, cada vez mais frequentada pela juventude, os participantes ao debate defenderam a necessidade de se investir na educação desde a base para um melhor aproveitamento. «Porque vivemos num universo de informação global. Agora, é preciso saber educar os nossos adolescentes e jovens como ir buscar esta informação importação», já que, tratando-se de uma sociedade com poucos hábitos de leitura, «vão buscar pornografia, vão para jogos na Internet, mas há muita coisa mais importante. Então é preciso incutir desde a Escola, tudo que é lixo deve-se desprezar», recomendou o Dr. Jorge.

Por seu turno, o Reitor do Seminário Maior Bom Pastor, Padre José Cassanji Santos, acredita que as estruturas do Governo estão a arranjar mecanismos para a introdução daquilo que considerou de Disciplina Global de Informação. «Porque é um risco, é uma mentalidade que se adquire, que, depois, dentro de 50 anos, nós vamos sofrer as consequências, alertou para a seguir apontar que «o mau uso das TIC pode prejudicar não só os utentes como também as famílias. Porque as informações podem deturpar o modo de entender dos amigos», advertiu.

E o estudante do curso de direito, José Sikuete Viagem, sublinha a ideia de que o débil diálogo dos pais em casa para com os filhos pode contribuir para o mau uso das TIC. «Essa informação que ele não consegue com os pais, vai busca-la na televisão, na rua», disse. Quanto à exposição da privacidade de outrem através de fotografias e vídeos, Viagem julga ser reflexo generalizado da falta de cultura jurídica. «Há direitos de personalidade que são invioláveis. Então eu se não estiver informado sobre o direito de personalidade, à integridade física, ao nome e à honra, e for para um meio público, vou fazer o uso do meu telefone de tal modo que não respeite estes elementos, porque eu entendo que o telefone, por ter câmara, é para captar tudo que é imagem mesmo sem o consentimento destas pessoas», ilustrou.

Será que o facto de ser namorado dá o direito de filmar a rapariga e expor a sua nudez? O «Não!» foi unânime. Para o doutor Jorge, não se trata de comportamento patológico, mas sim de comportamento infantil e que «à nossa juventude falta conhecimentos básicos para se viver em sociedade condignamente e passa necessariamente pela educação».

O Pe. Cassanji Santos defende que os princípios éticos sob os quais nos guiamos deviam ser claros, na medida em que a pessoa deve sempre «ser vista como um fim e nunca como um meio. Todo aquele que quiser lesar, por brincadeira que seja, a integridade física ou moral de quem quer que seja, atenta contra os princípios sagrados da privacidade e do direito individual», concluiu.

Eliminatórias para o CAN e Mundial de futebol 2010: Conheça os países e as séries mais fortes

Realizado no domingo, 25/11, na cidade sul-africana de Durban, o resultado do sorteio da segunda fase das eliminatórias combinadas para as fases finais do CAN/Mundial 2010 foi razoável para Angola, que, à partida, foi colocada no primeiro pote, o dos mais fortes, por força dos critérios da Fifa (Federação Internacional do Futebol Associado), que para tal se baseou no seu “ranking” de Julho. Confira as séries:

· Camarões / Cabo Verde / Tanzânia / Ilhas Maurícias

· Guiné Conacry/ Zimbabwe/ Namibia / Quénia

· Angola / Benin/ Uganda/ Niger

· Nigéria/ África do Sul/ Guiné Equatorial / Serra Leoa

· Ghana/ Líbia/ Gabão/ Lesotho

· Senegal/ Argélia / Libéria / Gâmbia

· Costa do Marfim / Moçambique / Botswana / Madagáscar

· Marrocos / Etiópia / Rwanda / Mauritânia

· Tunísia / Burkina-Faso / Burundi / Seicheles

· Mali / Congo / Tchad / Sudão

· Togo / Zâmbia / Eritreia / Swazilândia
· Egipto / RD Congo / Malawi / Djibuti

(Fonte: Semanario Angolense)

Jovens da Santa Cruz mudam o mundo

Desde Junho último, cerca de 15 jovens de ambos os sexos decidiram dar corpo ao seu dever de servir a sociedade com o pouco que podem fazer e com o muito que desejam aprender. De forma voluntária, dedicam-se ao aperfeiçoamento do teatro de intervenção, dando ênfase à promoção da educação cívica e à saúde pública.
Em fase embrionária ainda, o Grupo Teatral da Santa Cruz é constituído por jovens moradores do bairro com o mesmo nome, alguns dos quais mantêm, desde 2004, uma relação de voluntariado com a AJS. As oportunidades de participarem de debates e sessões de capacitação fizeram os jovens adoptar o teatro, não só como expressão de arte, mas também uma estratégia na veiculação de mensagens para atitudes pessoais e sociais construtivas. Pode ser que o grupo consiga singrar, ou, quiçá, dispersar-se, mas o certo mesmo é que marcaram o passo decisivo, o de começar. É mais uma demonstração de que ser cidadãos não é sentar-se e só criticar, mas é, sobretudo, contribuir com ideias e acções para o desenvolvimento da sociedade. É com pequenas mas sucessivas conquistas que se muda o mundo!
Félix Rodrigues “Guy” é apenas um deles que, pela dedicação e interesse, foi convidado a integrar a turma de activistas e actores de teatro radiofónico do programa radiofónico “Viver para Vencer”, emitido através da Rádio Morena, às terças-feiras, pela equipa dos projectos “Viver contra a Sida-3, Cidadania e Saúde Preventiva” e “Palmas da Paz”. No dizer de Guy, um dos dinamizadores, «o sonho deste grupo é de levar a arte aos pontos mais altos de toda a sociedade, de modo a educar e mudar comportamentos negativos que nos atingem, e ser um dos melhores grupos de teatro», revelou.
«A dificuldade que temos com o teatro de rádio é mais o medo de errar, porque sabemos que muita gente vai ouvir e ficamos com esse medo. É questão de tempo», disse. Bem, se no teatro radiofónico já fizeram história, no palco porém é ainda grande a maré por vencer, destacando-se o medo de enfrentar o público e o posicionamento da voz. «O momento mais difícil foi quando o grupo foi convidado a apresentar uma peça alusiva à eleição do “Mister Santa Cruz». A peça apresentada teve como titulo “Quando os pais não existem”, retratava a delinquência Juvenil. «Houve muita pressão no momento da apresentação, por parte dos organizadores. O cenário criado pelos organizadores não possibilitou a apresentação da peça em condições, pelo que tivemos que encurtar a peça», lembrou o nosso interlocutor.
Curiosamente, foi no mesmo recinto onde o grupo experimentou o momento mais gratificante. «Foi quando o grupo apresentou uma peça no dia 28/10, com o título “O inimigo da Família”. Isto porque foi a primeira vez que apresentamos uma peça comunitária no mesmo bairro, o grupo foi bem recebido pelo público e o mesmo reconheceu que foi um sucesso» confessou.

«As mulheres são os melhores condutores que temos», diz Inspector... quatro em cada dez acidentes envolvem um mototaxista (kupapata)

O Chefe do Departamento de Prevenção Rodoviária da Direcção Provincial de Viação e Trânsito, Inspector Pinto Caimbambo, denunciou que a negligência está na base da maioria dos acidentes que se assistem nas estradas. Enquanto isso, os mototaxistas, vulgo kupapatas, representam 40 por cento dos acidentes, ao contrário de automobilistas do sexo feminino, cuja taxa de acidentes é quase nula.

«A situação da sinistralidade rodoviária na nossa província, e no nosso país em geral, é bastante preocupante», considerou o Inspector Caimbambo, apontando entre os factores um certo entusiasmo da parte dos automobilistas dada a melhoria que se verifica um pouco por todo o país nas estradas. “Isto provoca com que os homens aumentem a sua auto-estima e, se calhar, considerem que os seus veículos são os melhores e tentam dar o máximo. E isto tem causado consequências bastante graves”, considerou o Inspector Caimbambo ao participar do debate sobre “Os acidentes na estrada”, que foi tema da 55ª edição do programa radiofónico “Viver para Vencer, oferecido pela AJS através da Rádio Morena, no passado dia 08/11.

Da mesma opinião partilha Simão Marques, membro da AJS. «Num outro ponto - disse - eu acho que talvez é a ignorância dos próprios condutores que passam por cima da lei».

«Penso que é um problema de mentalidade dos homens do volante. E penso que temos que mudar porque senão vamos continuar a morrer ingloriamente. Porque em quase todos acidentes registados há sempre uma transgressão: se não é excesso de velocidade, é falar ao telefone ou ter a música demasiado alta», denunciou o Inspector, para a seguir surpreender: «Eu faço uma apreciação positiva, sobretudo da parte das senhoras, hoje. No nosso balanço em termos de acidentes de viação, o número de mulheres é quase zero. Se calhar, eu consideraria as mulheres de mais prudentes. Porque, a mulher, quando estiver a aproximar uma viatura, mesmo com prioridade, não avança. As mulheres são as melhores condutoras que temos hoje».

Mas são os acidentes a principal causa de mortes ou a débil capacidade de resposta dos serviços de urgência? Este é um debate “incómodo” suscitado por vários intelectuais e observadores atentos, por exemplo na realidade de Portugal, que questionam se os acidentes é que são mortais ou se a capacidade de resposta dos serviços de emergência é que, às vezes, não chega tarde demais... quando chega.

A mesma questão foi colocada ao Chefe dos Serviços de Urgência do Hospital Central de Benguela, Ernesto Gomes, que avançou que «os serviços de saúde a todos os níveis estão criando condições cada vez mais para que esses casos de acidentes tenham a sua condição rapidamente suprida». E para os casos de acidentes que aconteçam longe dos bancos de urgência, «o hospital Central de Benguela está apetrechado de ambulâncias. Tem acontecido que, nalguns casos de acidentes, pessoas de boa fé comunicam ao banco de urgência e nós movimentamos uma ambulância para a busca do sinistrado e levamos para a área mais próxima», revelou, pondo à disposição do público o terminal telefónico 917 335 308, o de emergência hospitalar.

Quanto ao argumento de muitos automobilistas que se recusam prestar socorro com suas viaturas temendo serem apontadas como culpados do acidente, o Inspector Pinto Caimbambo garantiu que os dados recolhidos pela polícia servem apenas para completar as formalidades de ocorrência, sendo que em caso de inconsciência do sinistrado o automobilista serve apenas de contacto. Entretanto lamentou também haver casos de automobilistas que atropelam e se fazem passar por inocentes.

E como a figura do kupapata é já uma referência obrigatória em qualquer análise dos fenómenos do trânsito em Angola, foi solicitado do representante do Comando Provincial da Polícia Nacional um pronunciamento sobre a medida mais badalada, que é o uso do capacete. «É uma medida que está a ser acolhida mal, mas era bom que as pessoas nos compreendessem. A nossa intenção não é criarmos o desconforto às pessoas, é sim evitar as mortes na via pública”, lembrou. «Porque, se imaginássemos que uma mota, uma Delop que percorre uma velocidade instantânea de cerca de 70 km/h, ao embater contra um animal, qual seria o impacto da queda dos utentes da mota?», indagou.

Sem contudo revelar dados estatísticos locais, aquele oficial da Viação e Trânsito adiantou que, em termos percentuais, as motas contribuem com cerca de 40 por cento de acidentes registados semanalmente pela Polícia Nacional em Benguela. A causa é a «inobservância das regras de trânsito, logicamente, porque as ultrapassagens são feitas à direita e quando o automobilista tenta dar por si, já está envolvido num acidente», descreveu.

A nível dos bancos de urgência o quadro é dramático: «Podemos considerar 24 horas por dia. Não há sequer hora que se descanse nos bancos de urgência, área de pequenas cirurgias. E esta situação está a provocar muitas deformações e deficiências ao ser humano. Se nós tivéssemos que convocar todos aqueles que passam por estes acidentes, haveriam de ver que é um número grande de engessados. E é uma preocupação grande, que, de facto, casos de acidentes rodoviários passam a ser problema de saúde pública», concluiu Ernesto Gomes.

Benguela vai produzir mosquiteiros impregnados

O país deverá contar com uma fábrica de produção de mosquiteiros impregnados, num investimento orçado em cerca de 5 milhões de dólares norte- americanos, a instalar na província de Benguela. A capacidade instalada será de 2 milhões de mosquiteiros por ano.

É uma iniciativa privada com objectivo de acudir as dificuldades do país e de alguns países africanos em termos de rede mosquiteira. O projecto está a ser materializado sob licença da Tananeting e da Bayer, duas empresas reconhecidas a nível internacional. A produção da rede mosquiteira será feita com base num processo de transferência de tecnologia, ou seja, os mosquiteiros serão produzidos através de uma tecnologia desenvolvida em parceria da Tananeting e da Bayer com a Netemartek, um projecto da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento) na Tailândia. Os preços não deverão ultrapassar os 5 dólares por cada mosquiteiro.

Anualmente, Angola importa da Tailândia cerca de 2 milhões de mosquiteiros e, por cada um gasta 10 dólares, incluindo os custos de transporte.
Texto: Voz da América (online)

Dados oficiais da Sida em 2007: Angola tem 30 mil seropositivos

Na véspera da comemoração do dia Mundial de Luta Contra a Sida, as autoridades angolanas revelaram que pelo menos 30 mil cidadãos vivem com o vírus da doença. As estatísticas surgem numa altura em que a sociedade digere denúncias segundo as quais pessoas bem informadas e identificadas estariam a expandir propositadamente o vírus, recorrendo, quando muito, à fragilidade moral de raparigas ávidas por vantagens económicas.

A 58ª edição do programa “Viver para Vencer”, emitido a 27/11, incidiu sobre “A Situação do VIH/Sida em Angola”, tendo como convidada a Coordenadora de Benguela da ONG espanhola “Médicos del Mundo” (MDM), Concha Fernandes (na foto), que no litoral de Benguela apoia os Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (Catv), para além do acompanhamento psicossocial aos seropositivos.

Concha revelou que actualmente os centros não conseguem satisfazer no seu todo a avalanche de pessoas interessadas em determinar a sua condição serológica.

Embora o teste rápido não leve mais de 15 minutos, a sua natureza exige que o interessado passe por um aconselhamento prévio, de forma a estar preparado para o resultado, seja ele negativo ou positivo, pelo que «atender «mais de 20 pessoas por dia é impossível», esclareceu a responsável da MDM

E não são poucos os casos de pessoas que recuam da decisão após o aconselhamento. «É muita gente que chega, fazemos o pré-aconselhamento, perguntamos se tem a certeza de que quer fazer o teste e diz ‘épá, não, muito obrigado pela informação, mas hoje não’ e vai embora», revelou Concha.

A história algum dia há-de explicar o segredo do erro, ao ponto de, não obstante tanto esforço na prevenção e investigação científica para a descoberta da cura, continuar a aumentar a vitimar tanta gente a Sida. Este ano por exemplo, fazendo fé no relatório epidemiológico da OnuSida, cerca de 33 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com o VIH. Destes 22,5 milhões são da África subsariana. Foram ainda diagnosticadas 1,7 milhões de novas infecções e, como o paradigma ainda não mudou, as mulheres são a parte mais assolada.

Concha Fernandes diz ser cada vez mais possível controlar os índices de seroprevalência no mundo desde que mais cinco nações africanas (entre elas Angola) e a Índia, que é um país bastante populoso, passaram a fornecer regularmente os seus relatórios às Nações Unidas. E reconhece: «Também é devido ao grande esforço que estamos a fazer todos, os ministérios, os governos de todos os países, a sociedade civil».

Questionada se um conselheiro podia acompanhar um seropositivo a casa, se por este solicitado, com o fito de mobilizar a família perante a sua condição, Concha diz não haver problema, sendo que o contrário também é válido. Ou seja, o conselheiro pode convidar a família e fazer a mobilização no centro de aconselhamento. De resto, contou, um grupo de técnicos da Associação de Luta pela Saúde (Alps) é o braço direito da MDM, o qual se encarrega da componente aconselhamento, testagem, acompanhamento, tanto à unidade de tratamento como também psicossocial.

Entretanto, Concha não deixou de lembrar que o baixo nível de escolaridade, sobretudo nas zonas do interior, é dos maiores obstáculos na promoção da saúde pública.
Boletim "A Voz do Olho", edição de Novembro 2007

Governo angolano reafirma compromisso

Angola pretende reverter até 2015 o quadro de assistência terapêutica às pessoas portadoras do VIH/Sida, quando as estatísticas assinalam a existência ate Setembro último de 29 mil e 900 seropositivos dos quais apenas 10 mil e 300 recebem tratamento anti-retroviral, disse o ministro da Saúde, Ruben Sicato.
«O governo angolano conseguiu diagnosticar em 120 mil gestantes que foram submetidas ao teste HIV 4 mil e 800 pessoas positivas para o VIH, isto quer dizer que na totalidade das grávidas que foram testadas foi possível encontrar 4% positivas. O primeiro caso do VIH em Angola foi reconhecido em 1985, de lá até Setembro deste ano nós conseguimos diagnosticar 29 mil e 900 pessoas seropositivos. Até Setembro deste ano nós conseguimos ter 10 mil e 300 pessoas sob terapêutica anti-retroviral. Este número representa uma percentagem das 22 mil e 800 pessoas que foram encontradas VIH positivo que estão sob acompanhamento médico, porque há muitas que não estão a ser seguidas por vontade própria ou porque estão numa situação sem que esta possibilidade seja uma realidade. A nossa cobertura como dissemos não é muito boa, é mesmo baixa. Assim, em termos de centros de aconselhamento e de terapêutica nós temos apenas 116 centros nas dezoito províncias do nosso país, se quisermos ver os 164 municípios isto representa, que nós estamos em cerca de 32% municípios, quer dizer estamos em 53 municípios dos 164 municípios que o nosso pais tem. Relativamente a terapêutica a situação não é muito boa, em 164 municípios estamos presente com tratamento apenas em 35 municípios o que vai dar 21% dos municípios.»
Ruben Sicato garantiu ainda que o seu órgão vai punir com o rigor da lei todos o técnicos que divulguem a terceiros os resultados das pessoas que se submetem a testagem voluntária.

(Fonte: Voz da América)

“Noite de Palco Aberto” "A Juventude e o seu Contributo na Manutenção da paz"

O debate aconteceu no dia 06 de Agosto de 2017, Domingo no pátio dos escritório da AJS...