quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lázaro Dalas é um exemplo acabado de jovem batalhador

Fomos descobrir mais uma história de vida que merece homenagem. A conversa é com Lázaro Bernardo Dalas, ou Mr Dalas, um jovem que se tornou professor aos 17 anos de idade.

«Realmente! Eu até entrava na turma e os alunos, se calhar, pensavam que eu fosse também colega deles. Mas aquela ética profissional realmente distinguia entre alunos e professor», contou.

Natural do Huambo,
Lázaro Dalas veio a Benguela quando criança ainda. Pelo sonho de concluir o ensino superior, Dalas fez um sacrifício. Perdeu o emprego numa companhia do ramo dos petróleos.

«Eu tive mesmo que decidir, entre deixar os nossos dólares e optar mesmo pela formação. Porque previa que a formação futuramente poderia ser um apoio para mim. Então, é uma decisão que todos os amigos lamentaram, algumas famílias deram-me muito apoio em que pudesse mesmo esquecer e seguir a formação», sustentou.

Mais do que licenciatura, a força da paixão pela língua Inglesa. «Eu estou a fazer linguística Inglês, vou terminar este ano, e acredito que no próximo ano estarei a trabalhar na minha defesa de tese».

No Lobito, Mr Dalas teve uma experiência como mobilizador social voluntário. «Eu fui convidado, fiz parte desta associação durante seis meses. E fez-se um estatuto e, os meus amigos viram que eu era uma pessoa com certas habilidades, fui eleito vice-presidente [APDC -Associação de Promoção do Desenvolvimento Comunitário]. Desenvolvemos muitas acções, como por exemplo, apoio a crianças desfavorecidas».

Houve uma altura na vida em que, tal como muitos outros adolescentes oriundos de famílias de baixa renda, Dalas viajou para Luanda a fim de fazer pequenos negócios. Talvez conhecedora das potencialidades do rapaz, uma parente sua opôs-se à ideia de ver Dalas no papel de zungueiro. Pelo contrário, pagou um curso de informática. Seis meses depois, Dalas regressava ao Lobito.
Daí que nos vimos tentados a perguntar: quais foram os momentos mais difíceis?

«Por exemplo ter deixado um emprego, naquela altura a ganhar mais de 800 Dólares, e decidir estudar. Tu ficas apenas com um emprego limitado de 240 Dólares. Uma das outras situações marcantes, realmente, foi a perda de uma pessoa que para mim foi uma grande escola, mãe, irmã. Mas, pronto, isto é a dinâmica da vida e estamos realmente consciencializados».

Dalas conta também momentos de alegria. «
Bem, foi ter visto o meu [entre os candidatos admitidos] no ISCED [Instituto Superior de Ciências da Educação]», disse para a seguir acrescentar que «uma outra coisa, são mesmo os desafios a que todo o jovem está sujeito. Os meus empregos, tirando a função pública, foram sempre de luta porque, não tendo ninguém para puxar-te, a tendência é sempre batalhar».

Quanto ao perigo do VIH e SIDA, Lázaro Bernardo Dalas considera positiva a preocupação da sociedade em sensibilizar jovens e não só. E diz mais: «Eu acho que já é altura de mudarmos as nossas consciências e assumirmos mesmo este tipo de doença».
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A matéria foi emitida ontem, 31/03, na 9ª edição do programa "Viver para Vencer", que teve como tema "O papel do pai no acompanhamento de jovens e adolescentes".
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Refira-se que a rubrica “Nossa Homenagem” é oferta do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta
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AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”.

1 comentário:

Eliaquim disse...

+1 ponto para ti Dallas. E para a AJS. Chinguelessi.

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